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Antropóloga afirma que os números compilados do serviço, instalado há 10 anos para dar suporte à Lei Maria da Penha, dão força às demandas das mulheres e mostram a ponta de um iceberg

Por Patrícia Gomes*

O telefone toca. Do lado de lá, um pedido de ajuda urgente. “Alô. Estamos com uma mulher toda machucada aqui no hospital. Ela está grávida e disse que, após agredi-la bastante, o companheiro ameaçou esquartejá-la e encaminhar as partes do seu corpo em sacos de lixo para seus familiares.” Do lado de cá, uma atendente do Disque 180 ouve o relato, faz perguntas sobre a vítima, o agressor, o tipo e a frequência da violência, dá informações. Como este, só de janeiro a junho de 2016, foram mais de meio milhão de atendimentos realizados pelo 180, uma média de mais de 3 mil registros por dia. Ao ser lançado, no fim de 2005, o serviço prestava uma média de 4 mil atendimentos por mês. Com uma demanda crescente, de lá para cá, já foram registrados mais de 5,3 milhões de atendimentos.

Da guarda dos filhos ao pedido de ajuda

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A ampliação do conceito de violência vem se tornando tão importante que a SPM estuda aumentar o rol de violências identificadas no questionário do 180 em breve – atualmente são sete classificações de violência. “Agora temos percebido outros tipos de menção à violência. Nós vemos a cibernética, a chamada pornografia da vingança, a injúria racial na internet – que atinge sobretudo mulheres negras –, a violência obstétrica, a ampliação do conceito de assédio – como o encoxamento no transporte público –, os estupros coletivos, a violência política”, enumera a secretária.

De todos esses novos tipos, os que Bento vê com mais frequência em sua delegacia são os crimes relacionados à honra na internet e a pornografia de revanche, que é quando um casal termina o relacionamento e um deles, normalmente o homem, dissemina fotos íntimas da companheira na rede. “Quando fotos íntimas de um casal vazam, as pessoas recriminam a mulher, que é a vítima. Essa é mais uma forma de machismo na sociedade”, avalia a delegada.

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As consequências, continua Bento, são gravíssimas, e podem levar a vítima, inclusive, a cometer suicídio. Tal realidade é ainda mais perversa quando essa a violação de privacidade envolve adolescentes. “A internet e o celular tornaram tudo muito fácil. Quando um caso desses acontece, a adolescente tem que lidar com a sociedade e com os pais.”

Patrícia Gomes é jornalista e colaboradora da Gênero e Número.

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