Lucélia Pankará

Adriana Amâncio

Em março de 1997, em uma cerimônia espiritual na presença dos encantados, Lucélia Pankará teve o seu nome referendado como a primeira cacique do povo Pankará.

Casada, mãe de dois filhos e avó de três netos, Lucélia afirma que guiar o seu povo, formado por cerca de 1.500 famílias, é um grande desafio. “É difícil conciliar o cuidado com a minha família pessoal e a minha família maior. Eu peço sabedoria, aos encantados para cumprir a minha missão”.

Na aldeia, as famílias vivem da pesca e do cultivo de alimentos como cebola, milho, coco, melão e melancia, além da renda de programas sociais e do trabalho na escola Josefa Alice.

Lucélia explica que é na oca, casa de palha construída em formato circular, que os membros da aldeia louvam, agradecem e pedem bênçãos aos ancestrais. Na tarde em que a reportagem esteve no local, alguns membros realizaram um toré.

Em círculo, eles entoam cânticos que pronunciam os nomes dos encantados. Logo após alguns minutos, a energia muda, uma vibração forte toma conta, a fé compartilhada pelo grupo se intensifica e aparece no semblante em transe, nos pés que tocam o chão com mais firmeza. A voz evoca os ancestrais com mais intensidade.

Quem leu essa Reportagem também viu:

Adriana Amâncio

Jornalista, com mestrado profissional em marketing digital. Vencedora do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, com a reportagem “Caminhos da alimentação, o que chega à mesa das mulheres negras”, produzida pela Gênero e Número. Venceu o prêmio Sassá de Jornalismo de Direitos Humanos, na categoria spot, e o concurso “Podcast, seu Conteúdo para o mundo” , promovido pela Abraji com apoio da Embaixada dos Estados Unidos, com a produção Cidadãs das água. Possui 25 anos de experiência em reportagens investigativas colaborando com o Portal Catarinas, AZMIna, Marco Zero Conteúdo, Repórter Brasil, Pública, O Joio e O Trigo, Intercept Brasil, Lunetas, Mongabay Brasil e Estados Unidos, DW Brasil, Uol e Folha de São Paulo. Atuou como correspondente da região Nordeste no Colabora - jornalismo sustentável, entre os anos de 2022 e 2023.

Se você chegou até aqui, apoie nosso trabalho.

Você é fundamental para seguirmos com o nosso trabalho, produzindo o jornalismo urgente que fazemos, que revela, com análises, dados e contexto, as questões críticas das desigualdades de raça e de gênero no país.

Somos jornalistas, designers, cientistas de dados e pesquisadoras que produzem informação de qualidade para embasar discursos de mudança. São muitos padrões e estereótipos que precisam ser desnaturalizados.

A Gênero e Número é uma empresa social sem fins lucrativos que não coleta seus dados, não vende anúncio para garantir independência editorial e não atende a interesses de grandes empresas de mídia.

Quero apoiar ver mais