Imagem: AzMina

Marcha das Mulheres Negras 2025: como chegar, onde ficar e como participar

 A coalizão de Mídias Negras Feministas preparou um guia prático para quem vai marchar (ou quer fortalecer o movimento)

Anne Meire Ribeiro

  • Como a Marcha é organizada

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  • Como participar da Marcha

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  • Quero ir a Brasília, e agora?

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  • Onde marchar e onde dormir

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  • Vai na paz: medidas de segurança para uma boa Marcha

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Vai para a Marcha das Mulheres Negras 2025 ou quer apoiar o movimento e não sabe por onde começar? Separamos tudo que você precisa saber para não ficar de fora desse evento histórico. 

A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver é uma iniciativa que reúne organizações de mulheres negras de todo o país, além de algumas internacionais, para lutar por melhores condições de vida para a negritude brasileira. O objetivo é vislumbrar novos horizontes coletivamente, mas sem esquecer daquelas que vieram antes. O encontro acontecerá em Brasília, no dia 25 de novembro.

Em 2015, a primeira edição do evento reuniu mais de 100 mil pessoas. Nesses últimos 10 anos, muita coisa mudou. E para você não ficar de fora, te contamos como participar da mobilização, como conseguir apoiadores para a viagem, onde se hospedar, qual a rota da marcha, medidas de segurança importantes e como a marcha é dividida.

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Como a Marcha é organizada

A Marcha está presente em todos os estados do país e é autogerenciada, ou seja, os coletivos são responsáveis pela gestão do movimento. Para uma administração adequada, a mobilização se organiza por meio de comitês, que se articulam nos âmbitos regional, nacional e internacional. Então, se você integra um movimento de mulheres negras na sua região, pode entrar no site e cadastrar sua organização como um comitê. Você também pode se associar a outros comitês existentes, como o LBTI – Comitê Impulsor Nacional para Lésbicas, Bissexuais, Transsexuais e Intersexo

Além dele, os comitês que existem até agora são: internacional, nacional, regional, quilombola, psicólogas negras, sagradas mulheres águas — que reúne mulheres de terreiro —, tecnologia, evangélicas e protestantes, justiça reprodutiva e justiça climática. Esses grupos não são fixos e partem de uma demanda das manifestantes. Além disso, também tem o ecossistema de comunicação para comunicadoras negras que desejam integrar o time de comunicação do movimento.

Para acompanhar atualizações sobre a mobilização, você pode seguir a Marcha no Instagram, acompanhar o site ou assinar a newsletter. A Marcha também tem um canal oficial no Whatsapp, em que a chatbot Márcia está disponível para resolver possíveis dúvidas. Para falar com ela, mande mensagem para o número +55 61 9133-5626.

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Apesar de a Marcha ser um movimento coletivo, existe um Comitê Nacional responsável por preparar toda a estrutura em Brasília, esse núcleo que faz as articulações entre as regiões e contribui para a união dos comitês. É o Comitê Nacional que trabalha para receber as participantes de todas as regiões e as que virão de outros países também. De acordo com a organização, a expectativa é que movimentos de mulheres negras de mais de 30 países integrem a mobilização. 

Como participar da Marcha

Fazer parte da Marcha é muito simples. Você pode integrar o ato no dia 25 de novembro, em Brasília, ou contribuir para organizar a mobilização de maneiras indiretas. Não é preciso estar na capital do país para fazer parte, você pode divulgar para outras mulheres da sua região, ceder espaços para reuniões de comitês, ajudar no financiamento da viagem de comitês que te representam… Existe um universo de possibilidades e toda ajuda é bem-vinda. 

No caso de ativistas independentes, o processo é o mesmo. Você pode entrar em contato com o comitê regional para se articular com outras pessoas da mesma região e também pode ir direto para Brasília. Você não precisa estar em contato com um comitê para participar da Marcha das Mulheres Negras. 

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Quero ir a Brasília, e agora?

Em cada estado, estão rolando articulações diferentes para financiar a ida de mulheres negras até a Marcha. O primeiro passo é saber se você pode ou não financiar uma viagem até Brasília. Se a resposta for sim, também temos dicas de hospedagem para facilitar sua estadia. 

Se você não está com dinheiro para custear a ida até Brasília, não precisa desistir da viagem, os comitês locais estão se articulando para levar a galera e você pode ir junto. As iniciativas de arrecadação são as mais diversas: rifas, feijoadas solidárias, emendas de políticos apoiadores, bazares e ajudas sindicais. A dica é procurar pela caravana da sua região: uma forma de começar a pesquisa é buscar pelo comitê mais próximo de você, saber como estão se mobilizando para viajar e tentar entrar no meio. A lista dos comitês está aqui.

Onde marchar e onde dormir

A mobilização acontecerá no Plano Piloto, em Brasília, no Distrito Federal, em um trajeto de 2,6 km. A concentração será pela manhã no Museu Nacional, próximo à Rodoviária do Plano Piloto, e a previsão de saída é às 11 horas. 

Alguns hotéis fizeram parceria com o movimento. É o caso do Brasília Palace Plaza Hotel e do St. Paul Plaza Hotel, que oferecem 20% de desconto na estadia com o cupom MULHERESNEGRAS2025. Ficar hospedada em um hotel não é a única opção. Você pode usar o alojamento da Marcha, dividir casas, dormir na casa de parentes ou amigos, procurar por hostels ou pousadas, o que for melhor para o seu bolso. 

O alojamento das participantes da Marcha será na Granja do Torto e está sendo organizado pelo Comitê Nacional. O espaço oferecerá um pernoite, com suporte disponível durante o dia 25. Os comitês regionais e estaduais começarão a chegar na noite do dia 24 e seguirão até a manhã seguinte. Haverá vagas para dormir para quem chegar à noite e estrutura para banho, descanso e organização para quem chegar no dia do evento.

Os comitês regionais e estaduais estão mediando o número de marchantes e a disponibilidade no alojamento por meio de um cadastro. A partir desse controle, o acesso à estrutura será liberado.

Neste mapa, você pode conferir o trajeto da Marcha e os hotéis indicados pelas organizadoras. O percurso está sinalizado em azul, as hospedagens indicadas estão em vermelho, as acomodações com cupons de desconto em amarelo e o alojamento da organização em roxo. 

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A prioridade no alojamento será dada a mulheres mais velhas, com crianças ou com deficiência. A orientação é que cada participante leve seus itens pessoais — como colchão, roupa de cama, toalha, itens de higiene, utensílios básicos e roupa de frio —, já que esses objetos não serão fornecidos durante a estadia.

A organização da Marcha também disponibilizará refeições para os comitês em contato com o Comitê Nacional. O local e os horários de distribuição ainda serão divulgados. De acordo com o informe logístico do evento, haverá jantar no dia 24, além de café da manhã, almoço e jantar no dia 25. A dica é ficar de olho nos avisos e horários estabelecidos, mas é bom também levar seus lanchinhos para evitar perrengue.

Vai na paz: medidas de segurança para uma boa Marcha

Esta reportagem foi originalmente publicada na AzMina como parte da série Juntas pelo Bem Viver. Essa é uma iniciativa da Coalizão de Mídias Negras e Feministas, formada por Gênero e Número, Alma Preta, AzMina, Instituto Mídia Étnica e Nós, Mulheres da Periferia.

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Anne Meire Ribeiro

Anne Meire é estagiária de jornalismo da AzMina. Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia. Soteropolitana curiosa e apaixonada por arte, política, literatura, idiomas e culturas do mundo. Com passagens pelas redações da Revista Fraude, Folha de S.Paulo e pela rádio A Tarde FM.

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