5 ataques de Bolsonaro às mulheres

por Gênero e Número

Como disse Simone Tebet, Jair Bolsonaro tem raiva das mulheres. Com uma lista interminável de ações e xingamentos, o presidente já demonstrou seu machismo e seu desprezo por elas, que, vale lembrar, formam a maior parte da população e do eleitorado do Brasil. 

Na reta final das eleições que vão decidir se o país se entrega de vez à bárbarie ou tenta voltar ao mínimo de civilidade, a Gênero e Número recapitulou 5 atos, falas e decisões do presidente para você, que nos lê aqui, relembrar ou enviar a quem ainda tem dúvidas sobre o voto no dia 30 de outubro. 

Todas as agressões de Bolsonaro às mulheres foram vastamente registradas na imprensa e nas redes sociais, mas acreditamos que, a 10 dias do segundo turno, é nosso papel, organizar uma parte (mesmo que pequena) dessas informações e relembrar você sobre um governo que não se importa com a vida das mulheres e ativamente promoveu um desmonte de políticas para mães e trabalhadoras.

1. No governo Bolsonaro, casas chefiadas por mulheres passam fome

No Brasil, as casas sustentadas por mulheres são as que mais passam fome. Dados do II Relatório VIGISAN, divulgado em junho de 2022, mostram que a fome afeta 33 milhões de brasileiros. E a cada 10 casas chefiadas por mulheres, 6 sofrem de insegurança alimentar, isto é, não têm acesso regular nem garantido à comida. 

O problema atinge 53% das casa chefiadas por homens. Entre as razões que explicam esta diferença, a desigualdade no salário, a sobrecarga causada pelo trabalho e as tarefas de cuidado (de casa e de pessoas) que as mulheres acabam por desempenhar.

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2. Bolsonaro cortou dinheiro para creches e para combater a violência contra as mulheres

Reportagem do jornal O Globo mostrou que para o ano que vem, o presidente vai destinar apenas R$ 2,5 milhões para a construção de creches. O valor é suficiente para erguer apenas 5 unidades. Em 2022, este valor era de R$ 100 milhões e ano passado, de R$ 220 milhões. Enquanto o presidente abre a torneira do crédito consignado durante o período eleitoral, estimulando o endividamento de famílias, o investimento a longo prazo na educação não é prioridade. 

As políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres também foram prejudicadas. Os dados foram analisados pela Folha de S. Paulo, que mostrou que a verba destinada ao Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos para proteção das mulheres caiu de R$ 101 milhões, em 2020, para somente R$ 9 milhões em 2022. 

A má execução do dinheiro não vem de hoje e a pandemia só escancarou a gestão ineficiente dos recursos públicos no Brasil, em especial para mulheres, pessoas negras, indígenas e crianças e adolescentes. Em março, o Instituto de Estudos Socioeconomicos (Inesc) mostrou que o orçamento para combater a violência contra a mulher em 2022 foi também o menor dos últimos 4 anos.

3. Bolsonaro disse que "pintou um clima" entre ele e meninas de 14 anos

O lembrete agora é sobre o comportamento do presidente. Já ouviu a história do “pintou um clima”? Não? Semana passada, o presidente Bolsonaro se referiu a meninas venezuelanas como se fossem prostitutas, ao contar sobre seus passeios de moto em Brasília nos momentos mais difíceis da pandemia. 

Três, quatro, meninas bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”. 

O presidente sempre tão preocupado com a pedofilia e os bons costumes teve que se desculpar em rede nacional.

4. Bolsonaro convidou estrangeiros a fazer sexo com brasileiras

“Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. Esse é o convite que Bolsonaro fez aos turistas que quiserem vir ao Brasil. A afirmação é de abril de 2019, durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto. No mesmo ano, ao falar da Amazônia, ele disse: “O Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer”. Em 2020, esses ataques foram usados pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF/SP) para abrir um processo por danos morais contra a União.

5. Bolsonaro quis estabelecer o ensino domiciliar

Como trabalhar e dar aula pro seu filho ao mesmo tempo? Quando assumiu, o presidente Bolsonaro demonstrou uma estranha obsessão: o ensino domiciliar. É como se a pandemia não acabasse nunca e as crianças tivessem que ter aulas dentro de casa pra sempre. E mais: quem ensina são os mães e pais. A senadora eleita Damares Alves, ex-ministra de Bolsonaro, afirmou que crianças poderão socializar na igreja, nos cursos de inglês e fazendo esportes. A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos parece ignorar direitos e benefícios relacionados às escolas, como a merenda e o convívio social das crianças, sem falar no tempo das mães para trabalhar enquanto filhos estão nas escolas.

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