“Quem trabalha com informação sabe que ela é decisiva” diz a cofundadora do Marco Zero, Carolina Monteiro

Carolina Monteiro é jornalista, professora e cofundadora da Agência Marco Zero, a primeira agência de jornalismo investigativo de Pernambuco. Está há mais de duas décadas no jornalismo online. É uma das 7 pessoas entrevistadas em profundidade para a pesquisa “O Impacto da Desinformação e da Violência Política na Internet contra jornalistas, Comunicadoras e Pessoas LGBT+”.

O IMPACTO DA DESINFORMAÇÃO E DA VIOLÊNCIA POLÍTICA NA INTERNET

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Você pode falar sobre a sua formação, suas áreas de atuação como jornalista e comunicadora?

Carolina Monteiro – Eu me formei em jornalismo, em 1999, na Universidade Federal de Pernambuco e comecei a trabalhar nesse mesmo ano no Diário de Pernambuco. Eu era estagiária desde 1997, e em 1999, eu fui contratada no Diário, onde eu comecei a minha vida profissional, trabalhando primeiro como repórter, cobrindo a cidade, e depois eu fui chamada para fazer parte da equipe que ia criar o Pernambuco.com, que foi o primeiro portal de notícia e informação do Estado de Pernambuco. Fiquei no portal, primeiro como repórter, depois como editora-assistente e depois como editora. Em 2009, quis voltar a estudar. Fiz uma especialização em Design na UFPE[Universidade Federal de Pernambuco] e, na sequência, fiz mestrado e doutorado. E aí foi quando começou uma outra parte da minha carreira, que é a acadêmica. Fiquei no jornal e também na Academia. Em 2012, comecei a dar aula de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, até que em 2015, pedi para sair do Diário de Pernambuco para aprofundar a minha vida acadêmica, assumir mais turmas, me dedicar mais e melhor à Universidade e também para criar o Marco Zero, que foi o primeiro site de jornalismo independente investigativo aqui do estado. A ideia foi apresentada a mim em 2014 por Sérgio Miguel, que era editor-executivo também do Diário de Pernambuco. Ele pediu para sair do jornal com essa ideia de criar a Marco Zero. Ele me chamou, e a gente convidou mais outros cinco, e fomos sete os fundadores da Marco Zero, que foi lançada em 2015. Hoje permaneço na Marco Zero e também sou diretora da escola de comunicação da [Universidade] Católica. 

Na sua percepção há uma naturalização do discurso de ódio no meio jornalístico? Se sim, como percebe que isso ocorre?

Carolina –  É impossível não perceber, pois na verdade basta você ligar a televisão ou basta você entrar no Twitter ou você assistir a alguma live do presidente para entender que há uma naturalização desse discurso sim, a proliferação dele também, e acima de tudo uma coisa que torna esse discurso oficial, entre aspas, né? Você tem a maior autoridade executiva do país diariamente xingando jornalistas, debochando de jornalistas, agredindo verbalmente jornalistas, e isso faz com que todo mundo, de uma certa forma, se sinta autorizado, se sinta permitido a fazer isso também. Então acho que há uma escalada, principalmente desde a campanha de 2018. Há tanto uma escalada quanto uma naturalização mesmo. 

E quanto ao contexto da pandemia, você acha que escalou de alguma maneira a propagação de discurso de ódio?

Carolina – Na forma como os seguidores do presidente atuam, qualquer coisa escalaria, principalmente discurso de ódio. Se não fosse a pandemia, seria qualquer outra questão porque o assunto, o motivo que desperta o ódio, não interessa na verdade, né? Interessa construir essa narrativa em que os jornalistas são os vilões, os jornalistas são inimigos do povo, são inimigos do atual governo financiados por grupos, por políticos ligados à esquerda, comunistas, marxistas, esquerdopatas, pedófilos etc, etc. Então qualquer tema levantaria esse discurso. Agora claro que uma pandemia como a que vivemos acirra também qualquer ânimo. Algo que mexe com vida e com morte, que mudou a vida de absolutamente todo mundo da noite para o dia. Tudo isso se torna combustível na escalada desse discurso, mas eu acho que qualquer tema que for colocado em discussão, com esse objetivo de praticamente criminalizar a atividade jornalística, vai acirrar sabe, vai tocar fogo ainda mais nesse paiol.

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É muito chocante pra gente que um texto de WhatsApp mal escrito, cheio de erro de português, absurdo e beirando o nonsense, possa ser tido como verdade.

E quanto ao fenômeno da desinformação e seu impacto na sociedade, na sua prática de jornalismo, como você tem percebido isso?

Carolina –  Eu acho chocante, como todo mundo. A gente que trabalha com informação, que tem informação como matéria-prima do nosso trabalho, a gente sabe o quanto ela é importante, o quanto ela é decisiva. Na qualificação mesmo do debate público, a gente sabe o quanto ela é difícil de se obter, né? A gente sabe de todos os processos, de todos os métodos, de todas as técnicas do jornalismo para obter informação de qualidade, a gente sabe que informação de qualidade não é um produto fácil. A gente obtem uma informação apurada a partir de métodos e técnicas, porque o jornalista passa quatro anos na faculdade para começar a aprender a fazer isso, e é muito chocante pra gente que um texto de WhatsApp mal escrito, cheio de erro de português, absurdo e beirando o nonsense, possa ser tido como verdade. Porque quando você pega os casos clássicos, a “mamadeira de piroca”, “o chip que vai ser implantado se a pessoa tomar vacina”, quando você pega esse tipo de informação, a gente fica muito chocado que as pessoas acreditem, que as pessoas não desconfiem de que aquilo pode não fazer algum sentido, sabe? Como educadora, como professora, não posso deixar de pensar no quanto essas duas coisas estão conectadas. E quanto a desinformação prolifera e convence pessoas que têm um baixo nível educacional. E eu não estou falando um baixo nível educacional “ah porque são alunos de escola pública” não, nada disso não. São pessoas mal educadas no sentido formal e informal, e isso independe de classe social, de onde estudou, mas é um problema fundamentalmente da educação. Antes de ser um problema do jornalismo, eu acho que é um problema da educação, das pessoas não terem essa capacidade de discernir uma notícia falsa de uma notícia jornalística apurada. Esse problema que começa na educação e que termina afetando realmente a prática da comunicação em todas as suas formas.

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Eu acho que o jornalismo está sendo mais provocado a ser também mais transparente, a divulgar as suas fontes de financiamento.

Como esse discurso do ódio e a desinformação mudaram o modo como se faz jornalismo? Como se escreve, como se pesquisa, como se divulga?

Carolina – Se em tudo na vida é preciso tentar encontrar um lado positivo, eu acho que esse cenário trouxe algo importante para o jornalismo: uma prática importante que vejo ser mais adotada pelo jornalismo independente, que é uma certa transparência dos processos de produção do jornalismo. Eu penso que faz parte da solução. Claro que essa não é uma solução simples, mas penso dessa forma: que, cada vez mais, faz parte da solução a gente abrir a caixa preta do jornalismo, sabe? Como é que o jornalismo é feito? Quais são as técnicas? Quais são os métodos? Como são os processos? Que caminho você percorreu para chegar a essa informação? Como é que ela foi checada? De onde veio essa informação? Abrir essa caixa preta faz toda a diferença, porque as pessoas que não são jornalistas podem até ter uma vaga ideia, mas talvez não tenham noção do processo jornalístico; elas veem as notícias serem reproduzidas na TV, no rádio, na internet, nas redes sociais e elas podem não saber muito bem qual é o processo da captação dessa informação, de checagem, de edição. Então é quando você pode colocar isso de uma forma transparente, quando você diz, por exemplo, quais são as suas fontes, os estudos, as pesquisas, quem você procurou, o que você perguntou. Por exemplo, a gente vê “até o final dessa edição fulano foi procurado e não se pronunciou”, mas eu acho isso muito pouco para justificar por que um governo, uma prefeitura, uma autoridade, uma pessoa investigada ou alguém, um personagem não quis falar. Então lá na Marco Zero, por exemplo, a gente tem uma prática de, nesses casos, a gente dizer quem foi que a gente procurou, com que antecedência a gente procurou, quantas vezes a gente tentou falar, quais foram as perguntas que a gente fez para a tal pessoa. Então um pouco mais de transparência vai fazer diferença, e sem falar obviamente no fact-checking que coloca ali todas as fontes, todo o processo que foi feito, todo o método que foi aplicado para checar aquela informação e explica por que ela não condiz com a realidade, e explica por que aquilo não é um fato, né? Eu acho que o jornalismo está sendo mais provocado a ser também mais transparente, a divulgar as suas fontes de financiamento. No ambiente da mídia independente isso é muito comum, na mídia tradicional isso ainda não acontece. Na Marco Zero, a gente publica anualmente um balanço com toda a receita, de onde vieram os nossos recursos, quem financiou, quanto a gente arrecadou, como isso foi aplicado. Isso vai contribuindo, mas não vai resolver o problema [da desinformação]. E outra coisa que eu acho que também importa, obviamente, de forma transversal, mas também muito importante, é a questão da diversidade que se discute tanto. O aumento da diversidade no jornalismo como uma forma realmente de trazer mais pluralidade para o debate, trazer mais visões de mundo para as coberturas, acho que isso é uma outra frente importante de atuação. 

E você percebe que há uma perda de confiança da mídia por parte da sociedade? 

Carolina – Percebo. Acho que há uma crise de confiança geral. E percebo mais essa crise de confiança da chamada mídia tradicional, hegemônica, talvez por essa falta de transparência, talvez por ser uma mídia que não deixa claro sempre os seus princípios, e que muitas vezes não se posiciona. Então eu vejo que essa falta de posicionamento afeta a credibilidade porque esse mito da imparcialidade a gente já derrubou há muito tempo, certo? Eu acho que há uma crise de confiança geral, principalmente entre os mais jovens. E acho que essa crise afeta mais ainda a mídia tradicional. A mídia independente enfrenta outras desconfianças, sem dúvida. A desconfiança de que é uma mídia ativista, de que as questões ideológicas interferem na pauta, é uma desconfiança também de outra natureza, mas eu acho que por conta dessa transparência sobre a qual falei acima, termina carregando uma credibilidade maior. 

Como você acha que o poder público tem atuado nessa temática da liberdade de imprensa? 

Carolina –  No caso do Governo Federal, eu percebo um desserviço, uma prática contrária na verdade: bloquear jornalistas, xingar, destratar. Eu acho que o que eu vejo o Poder Público fazer na esfera federal, executiva federal, na verdade é um desserviço.

E você acha que o Legislativo vai na mesma linha, não se opõe, deixa-se levar?

Carolina – A gente tem uma composição no Congresso Nacional hoje favorável ao Governo Federal, então o PL das Fake News tem uma série de problemas. Faltou uma escuta mais ampliada da sociedade, dos jornalistas em geral. Eu vejo no Legislativo uma passividade, enquanto, do Executivo, percebo uma agressividade. 

Você já passou por alguma situação de violência que tenha sido em decorrência da sua profissão, pelo menos nos últimos cinco anos? 

Carolina – Não. Na minha história profissional, eu tive mais tempo sendo editora do que repórter. E repórteres estão de certa forma muito mais vulneráveis a qualquer tipo de violência decorrente da prática profissional. Então pessoalmente, tanto no Diário de Pernambuco, que foi o jornal em que eu trabalhei por 17 anos, que era mídia tradicional, quanto na Marco Zero, não vivenciei essas formas de violência, de ataque de ódio. Na Marco Zero eu tenho uma atuação que é muito de gestão, de governança e uma posição mais executiva.

E você conhece alguma mulher ou pessoa LGBT que tenha passado por isso? 

Carolina – Um aluno meu, homem gay, que estava fazendo uma cobertura no contexto da eleição de 2018 e foi agredido por ser homossexual, foi xingado. A pessoa passou na moto e deu um tapa nele, ele tava trabalhando cobertura e foi tratado dessa forma. Esse caso, de violência contra LGBT+, aconteceu no dia da eleição, no dia da eleição no segundo turno de 2018, ele estava trabalhando para um jornal local, estava fazendo a cobertura no local de votação e foi agredido, obviamente, por eleitores de Bolsonaro. Ele estava trabalhando, inclusive, de crachá, e foi agredido na saída de um local de votação. Esse caso repercutiu, outros veículos fizeram as matérias, mas foi o caso mais próximo que eu me lembro.

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A crítica às mulheres não é sobre ser péssima jornalista ou ter feito mal o trabalho. A crítica vai sempre para as questões relacionadas a gênero e sexualidade. Isso é claro. Acontece com figuras públicas, não só jornalistas.

E você acha que há algum tipo de violência específica contra jornalistas, mulheres e LGBT+ que se diferencie de outras violências?

Carolina – Claro. Primeiro eu percebo que “automaticamente” o tom é diferente, o tom da agressividade é diferente. A crítica às mulheres não é sobre ser péssima jornalista ou ter feito mal o trabalho. A crítica vai sempre para as questões relacionadas a gênero e sexualidade. Isso é claro. Acontece com figuras públicas, não só jornalistas. Mas eu acho que todas as mulheres em todas as posições, de uma forma geral, são medidas e avaliadas ou criticadas por questões referentes ao seu gênero, e aí vêm os xingamentos “prostituta, puta, rapariga”. Ameaça de estupro. Tudo extremamente agressivo. “Você merece ser estuprada”. Sempre é muito maior a violência e tem um mecanismo por trás dessas agressões, que é sempre ir direto na questão do gênero e da sexualidade.

E você acredita que existe algum meio ou alguns meios mais eficazes de denúncias para casos de violência sofridas em decorrência da profissão? 

Carolina – Eu falo muito de forma empírica, porque eu nunca precisei usar nenhum desses sistemas, então eu não tenho muito como falar especificamente da eficácia. Mas eu acho que talvez fosse o caso de procurar todas as possibilidades possíveis, então acionar a plataforma no caso de violência através das redes sociais, procurar a polícia para fazer um boletim de ocorrência, procurar uma divulgação também do caso. A Marco Zero faz parte, assim como a Gênero e Número faz parte, da Ajor, a Associação de Jornalismo Digital, que nasceu há pouco tempo. Essa pauta é muito quente nas discussões da Ajor: de a gente ter uma rede mesmo de apoio, a gente ter contato com escritórios de advocacia e com coletivo de advocacia popular ou de especialistas que deem orientação. E principalmente existir essa rede. Acontece, já aconteceu durante a etapa de criação da Ajor, de algumas jornalistas de organizações participantes colocaram no grupo que estavam sofrendo algum tipo de ameaça, que estavam sofrendo algum tipo de violência, e a rede se juntar para fazer o que talvez seja o menos eficaz, mas eu acho que também é importante, que é uma nota de apoio, enfim, mas eu acho que tudo é válido, utilizar os recursos possíveis. Talvez em algum caso você obtenha alguma reparação, mas eu não sei se é simples, e desconfio que não seja.

E você acredita que o vínculo empregatício, o tamanho da empresa, o alcance da mídia e o tema que está sendo publicado influenciam na possibilidade de sofrer algum tipo de ataque? 

Carolina –  Afeta pro bem e pro mal. Quando você trabalha num jornal ou numa TV que está mais exposta por ter mais visibilidade, como a Folha de S. Paulo, a Globo, você termina sendo mais alvo, obviamente, mas ao mesmo tempo você tem todo o suporte legal. Você tem uma estrutura ali feita pra lhe proteger. Então o caso, por exemplo, de Patrícia Campos Mello, todo o suporte que tem a ela, apesar de isso não minimizar os impactos, apesar disso não tornar a violência contra ela mais leve, mas o suporte existe. Você tem o caso mais antigo da Elvira Lobato, que tem processos em vários lugares do Brasil contra ela por uma matéria das igrejas evangélicas. Esse atendimento jurídico é caro. Na Ajor, tem quem trabalhe com fact-checking, o Aos Fatos, fundado pela Tai Nalon. Ela sofre sofre muita violência, ela sofre muito ataque, ela sofre muito processo, ela sofre muita agressão, apesar de ser uma empresa jovem, pequena, mas pequena em comparação às outras, pois a natureza da atividade jornalística dela coloca ela mais em evidência. A Lupa, outra agência de fact-checking, também sofre muito isso. No caso da Lupa, tanto a Cristina Tardáguila quanto o Gilberto Scofield, que é gay, também sofrem muita violência por conta disso. 

E você acredita que a eleição de Jair Bolsonaro como presidente afetou nesse tipo de violência?

Carolina – Eu posso dizer que profissionalizou a violência contra jornalistas na internet, porque eu acho que antes era uma coisa de amadores, entre aspas, de leitoras e leitores insatisfeitos. Mas parece que a partir da eleição de Bolsonaro virou esquema realmente profissional, virou parte da estratégia política para a manutenção dos índices de popularidade e de apoio. Passa por isso, atacar jornalistas. Inclusive há até financiamento para esse tipo de ataque.

E quanto à pandemia, você percebe que também impactou de alguma forma na escalada da violência? 

Carolina – Vejo que acirrou alguns debates: o negacionismo, a questão da vacina. A pandemia acirrou alguns debates, mas qualquer debate público hoje no Brasil vai ser polarizado, qualquer debate público vai ser assim. Mas eu não consigo enxergar uma relação entre pandemia e o aumento da violência. No caso da eleição do Bolsonaro, sim, é óbvio. Aí é uma questão de profissionalização mesmo, como falei anteriormente.

Você atualmente se sente segura exercendo a profissão de jornalista? 

Carolina – Sim e não. É difícil na verdade ter uma resposta para essa pergunta. Eu me sinto também vulnerável, sabe? Acho que talvez essa seja a melhor forma melhor de eu descrever. Eu me sinto mais vulnerável do que eu me sentia há 20 anos, quando eu comecei na profissão. Nas redes sociais, eu me exponho muito pouco. Eu não tenho Twitter, eu acompanho o Twitter da Marco Zero, uso o Twitter da Marco Zero. Então eu tenho por princípio, e aí não é só por conta disso [da violência], é porque naturalmente eu sou uma pessoa discreta, mas eu tenho uma exposição muito pequena nas redes, onde grande parte dessa violência acontece. Eu não estou na rua, né? Pela Marco Zero, como eu já disse, eu estou numa posição de gestão, de liderança e executiva, então eu me sinto mais segura por essas circunstâncias. Por exemplo, o fato de eu ter aumentado essa preocupação com a minha exposição nas redes sociais já é uma repercussão, o fato de eu não querer, eu não me sentir à vontade para me expor tanto nas redes, já é fruto de um cenário, de um contexto, eu não faço isso somente porque eu sou uma pessoa discreta, é porque eu sou uma pessoa discreta e sou jornalista, sabe? Seria melhor que fosse apenas uma opção minha não querer me expor tanto. Mas acho que é isso, eu não me sinto insegura tanto pela natureza do cargo que eu ocupo, de executiva e gestão, mas eu me sinto vulnerável por ser mulher, por ser jornalista e por estar trabalhando no Brasil do século XXI.

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