Mulheres negras na linha de frente da crise climática e ambiental

Durante a COP30, realizada este ano em Belém (PA), a Gênero e Número, em parceria com a Oxfam Brasil e o Observatório da Branquitude, lança o sumário executivo “Crise Ambiental e Climática: Mulheres Negras na Linha de Frente”, uma publicação que reúne dados oficiais e relatos potentes sobre como as desigualdades raciais e de gênero se entrelaçam à crise climática e ambiental no Brasil.

O levantamento revela que as pessoas negras são as mais afetadas pela falta de acesso à água potável, ao tratamento de esgoto e à coleta de lixo, além de estarem entre as mais impactadas pela insegurança alimentar. A publicação também chama atenção para a ausência de dados interseccionais em bases oficiais — como no caso do IBGE, que, no Censo 2022, ainda não disponibiliza o cruzamento entre gênero e raça ao tratar de temas como saneamento básico e na Pnad, sobre segurança alimentar.

Sem dados interseccionais, não há políticas públicas eficazes. Por isso, este material apresenta dados sobre a população negra, quando o cruzamento por gênero não é possível, e informações específicas sobre mulheres negras, sempre que as bases permitem, como no caso do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), que traz dados sobre as vítimas de inundações no país.

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Em um contexto em que as desigualdades históricas se aprofundam com os efeitos das mudanças climáticas, o estudo evidencia que são justamente as mulheres negras que têm construído alternativas concretas de sobrevivência e cuidado em seus territórios.

Por meio de dados oficiais, análises e histórias de vida, o documento destaca o protagonismo de mulheres que lideram hortas coletivas, redes de reciclagem e iniciativas de gestão comunitária da água — práticas que apontam caminhos para políticas públicas mais justas e efetivas, reconhecendo as mulheres negras como sujeitas políticas centrais da agenda climática.

“Diante desse cenário, torna-se urgente que políticas públicas nacionais e locais incorporem de forma transversal o recorte de gênero e raça, reconhecendo as mulheres negras como sujeitas políticas centrais na agenda climática. Ampliar o acesso ao saneamento básico, incluindo à água, investir em programas de segurança alimentar e fortalecer iniciativas comunitárias são passos fundamentais para a construção de uma agenda de justiça climática que dialogue diretamente com o direito à cidade”, reforça a introdução do documento.

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Com apoio da ActionAid e em parceria institucional com a Marcha das Mulheres Negras, o sumário chega em um momento estratégico. A COP30, realizada no Brasil, coloca o país no centro das discussões globais sobre o futuro do planeta — e a publicação reforça que não há justiça climática sem justiça racial e de gênero. As soluções já existem, sendo gestadas e lideradas por mulheres negras em comunidades de todo o país.

Além disso, este material é uma prévia de um estudo sobre os impactos  da 1ª Marcha das Mulheres Negras no enfrentamento das desigualdades no Brasil e as perspectivas para a 2ª Marcha, marcada para 25 de novembro. 

Leia o sumário completo aqui.

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Vitória Régia da Silva

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduanda em Diversidade e Inovação Social pela PUC Rio. É diretora executiva da Gênero e Número, organização em que, há mais de oito anos, se dedica à cobertura especializada em gênero, raça e sexualidade, sempre guiada por dados. Também é conselheira da Ajor (Associação de Jornalismo Digital). Coautora do livro Capitolina: o mundo é das garotas (Ed. Seguinte) e colaboradora no livro Explosão Feminista (Ed. Companhia das Letras), organizado por Heloisa Buarque de Holanda.

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