Está no ar a terceira temporada do videocast Substantivo Feminino

Episódios tratam desde a participação feminina no audiovisual e na liderança no campo da IA até a segurança digital das crianças e adolescentes.

Marina Person (à esquerda) conversa com a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga (vestida de preto), e a criadora de conteúdo Duda Meneghetti (vestida de branco) no episódio de estreia da terceira temporada do Substantivo Feminino.

A terceira temporada do Substantivo Feminino, realização do YouTube em parceria com a Casé Fala e a Gênero e Número, já está inteiramente disponível na plataforma e no site do videocast. Ao todo, são cinco episódios que usam o debate de grandes vozes como ferramenta para transformar o lugar da mulher na sociedade.

O primeiro tem como mediadora a atriz, cineasta e apresentadora Marina Person, que conversa com a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, e a criadora de conteúdo Duda Meneghetti sobre a participação (e a ausência) das mulheres e das pessoas negras no cinema brasileiro. A representação feminina nas telonas e as ações do setor público para que mais mulheres sejam inseridas nesse mercado são outros temas abordados.

Em sua fala, Joelma ressalta ainda a importância do audiovisual para economias locais: “Se tiver um filme hoje sendo gravado na sua cidade, tenha certeza de que o orçamento desse filme está indo para toda a economia da cidade.”

ler Receba nossos conteúdos no WhatsApp

Já o segundo episódio trata da proteção das crianças e adolescentes no ambiente virtual, explorando, por exemplo, o impacto do chamado ECA Digital, lei sancionada em setembro de 2025 com o objetivo de garantir a segurança infantil na internet. A sobrecarga das mulheres com o trabalho de cuidado, que se estende ao cuidado dos filhos no mundo digital, é outro tema abordado.

A mediação da conversa fica a cargo de Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, e as convidadas são Lílian Cintra de Melo, secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça; Pilar Lacerda, secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; e Isa Vaal, psicóloga, mãe e co-criadora da Totoy, do canal José Totoy Português no YouTube.

“Esse tempo de tela tem que ser produtivo para a criança e ser um tempo em que o pai e a mãe vão ficar tranquilos, falar: ‘Ele está assistindo a um bom conteúdo, que vai entreter ao mesmo tempo que está ensinando’, que é o desafio nosso, o tempo todo”, afirma Isa.

ler Assine nossa newsletter semanal

No terceiro episódio, três grandes referências em economia criativa conversam com a jornalista Basília Rodrigues sobre o papel desempenhado pelas mulheres nesse mercado, que movimentou R$ 393 bilhões em 2023 e representa 3,6% do PIB brasileiro. As convidadas são Patricia Muratori, diretora do YouTube para a América Latina; Ana Leticia Magá, diretora executiva do Grupo Flow; e Cláudia Leitão, secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura.

“A gente precisa traduzir para o trabalhador da cultura e da economia criativa que ele pertence a esse campo de inúmeros segmentos”, defende Cláudia. “Há pessoas que são técnicas, que são mestres da cultura popular do Brasil, gente que tem saberes ancestrais, gente que estudou muito e fez doutorado em uma área específica. É um campo de conhecimento muito amplo.”

Você também pode ler mais sobre o tema nesta reportagem da Gênero e Número, publicada em 2021, sobre o impacto das mudanças climáticas no trabalho das artesãs do semiárido cearense.

ler Apoie a Gênero e Número

O protagonismo das mulheres no empreendedorismo é o assunto que reuniu no quarto episódio Ana Fontes, empreendedora social e fundadora da Rede Mulher Empreendedora; Soraya Thronicke, advogada, empresária e senadora, vice-líder da Bancada Feminina; Meire Barbosa, coordenadora da estratégia nacional Elas Empreendem do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; e Flávia Paixão, empreendedora e fundadora da edtech Empreender com Paixão e do canal de YouTube de mesmo nome.

As entrevistadas falam de suas respectivas atuações pela igualdade de gênero e em apoio ao desenvolvimento das empreendedoras brasileiras, tocando em políticas públicas e práticas de formação e capacitação. As ações do Ministério do Empreendedorismo voltadas para mulheres e a importância da educação financeira são outros temas que você vai encontrar neste episódio.

“O Elas Empreendem é uma estratégia intersetorial que passa por nove ministérios, bancos públicos, sociedade civil, porque sozinho, ninguém vai mudar a situação do empreendedorismo feminino no Brasil”, exemplifica Meire.

Se o assunto te interessa, vale a pena ler também esta coluna de Maite Schneider para a Gênero e Número. Nela, Maite fala da importância da diversidade e da inclusão para um empreendedorismo focado em inovação.

ler Videocast Substantivo Feminino debate discurso de ódio

Fechando a temporada, Ana Fontes volta a mediar o Substantivo Feminino em um debate sobre a importância da diversidade de gênero na tecnologia, focando nas oportunidades e nos desafios da liderança feminina quando o assunto é inteligência artificial. As convidadas são Samara Castro, advogada e chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação Social; Adriana Ventura, deputada federal, empreendedora e professora da Fundação Getúlio Vargas; e Kizzy Terra, cientista de dados e cofundadora do canal Programação Dinâmica.

As três discutem o impacto da IA na vida das mulheres e a importância de políticas públicas e regulamentação da tecnologia, passando por temas como os vieses prejudiciais dos algoritmos e a urgência da educação digital. 

“Na minha experiência como professora, mais recentemente na graduação em computação, eu passei a ter esse olhar de observadora. Eu me via muito nas minhas alunas e via o quanto essas questões culturais e estruturais nos impactam”, conta Kizzy. 

“Várias vezes, eu as via com muito mais potencial, capacidade e até dedicação do que vários dos meninos, que eram muito mais confiantes. Eles eram mais capazes, na apresentação, de se sentir no direito de estar ali e dominar aquele espaço, enquanto elas internamente tinham essa dificuldade”, completa.

Se você ainda não entrou em contato com um projeto feminista que faça uso de inteligência artificial, conheça o Radar Antigênero. Criada pela Gênero e Número em parceria com a Novelo Data, a ferramenta utiliza inteligência artificial para monitorar, classificar e interpretar vídeos com discurso antigênero no YouTube.

A primeira e a segunda temporada do Substantivo Feminino também estão disponíveis tanto no YouTube quanto no site do videocast.

Quem leu essa Artigo também viu:

Gênero e Número

A Gênero e Número é uma associação que produz e distribui jornalismo orientado por dados e análises sobre questões urgentes de gênero, raça e sexualidade, visando qualificar debates rumo à equidade. A partir de linguagem gráfica, conteúdo audiovisual, pesquisas, relatórios e reportagens multimídia alcançamos e informamos uma audiência interessada no assunto.

Se você chegou até aqui, apoie nosso trabalho.

Você é fundamental para seguirmos com o nosso trabalho, produzindo o jornalismo urgente que fazemos, que revela, com análises, dados e contexto, as questões críticas das desigualdades de raça e de gênero no país.

Somos jornalistas, designers, cientistas de dados e pesquisadoras que produzem informação de qualidade para embasar discursos de mudança. São muitos padrões e estereótipos que precisam ser desnaturalizados.

A Gênero e Número é uma empresa social sem fins lucrativos que não coleta seus dados, não vende anúncio para garantir independência editorial e não atende a interesses de grandes empresas de mídia.

Quero apoiar ver mais