O que a Gênero e Número fez em 2023?

Vitória Régia da Silva

Dezembro está chegando ao fim e vamos tirar o merecido recesso nos próximos dias.  Retornaremos em janeiro de 2024, mas antes do devido descanso, vamos relembrar o que fizemos em 2023, um ano de muito crescimento, conteúdo e reconhecimento na Gênero e Número.  

No início do ano, a nova diretoria executiva tomou posse na Associação Gênero e Número. Para quem não sabe, em 2021 mudamos nossa figura jurídica para uma organização sem fins lucrativos e temos aprendido muito nesse processo de gerir uma organização de mídia e pesquisa. 

Foi um ano desafiador, em que a equipe cresceu 116%, com a criação de novas áreas, como captação e audiência. A Gênero e Número só existiu por conta do trabalho de Natália Leão, Marilia Ferrari, Vitória Régia da Silva, Maria Martha Bruno, Adriana Constantin, Aline Gatto Boueri, Victoria Sacagami, Schirlei Alves, Michelle Cortes, Marilia Gessa, Diego Nunes da Rocha, Miriã Damasceno, Sabrina Mendes e todas as pessoas que colaboraram e estiveram junto com a gente nos projetos, reportagens e tecnologia. 

Além disso, as 22 associadas e o conselho financeiro são fundamentais para garantir que a organização cumpra com seus objetivos principais sem perder de vista a responsabilidade institucional e econômica.

 

Novo time, novos conteúdos, novos formatos

Graças a todas essas pessoas que fazem e acompanham a Gênero e Número, publicamos mais de 120 visualizações de dados, 19 colunas, 12 artigos, 5 entrevistas e 2 séries de vídeo e 34 reportagens, algumas delas em grandes coberturas, como o março das mulheres trans, a que mostrou como vivem as trabalhadoras da indústria do jeans em Toritama, a que denunciou a contaminação de mulheres indígenas com mercúrio no Pará, a que conversou com mulheres caciques em Pernambuco e a série Aborto é cuidado, em parceria com a Revista AzMina e o Portal Catarinas.

Também ampliamos nosso espaço de opinião com o novo time de colunistas. Em março, Maite Schneider passou a publicar textos mensais, abordando principalmente temas relacionados ao mercado de trabalho e à população LGBTQIA+. A cofundadora da TransEmpregos, o maior banco de currículos e oportunidades de emprego para pessoas transgênero no Brasil, é consultora de diversidade e inclusão e a primeira profissional transgênero a ser reconhecida como uma das vozes mais influentes no LinkedIn.

Em maio, Mariana Belmont, jornalista e assessora sobre Clima e Racismo Ambiental de Geledés – Instituto da Mulher Negra, também passou a integrar a equipe de colunistas, abordando questões ambientais, como justiça climática e racismo ambiental

Em parceria com o Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (GEMAA), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), publicamos artigos mensais sobre ações afirmativas no Brasil, em uma iniciativa de divulgação científica liderada por mulheres e pessoas negras. Também contamos com artigos mensais do Movimento Mulheres Negras Decidem, que visibiliza as demandas de mulheres negras na política e no Judiciário.

 

Fomos notadas

Junto com todo esse trabalho, vieram reconhecimentos. Nossa reportagem visual que mostra a sobrerrepresentação de homens brancos no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou o Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados na categoria Visualização. A reportagem que mostrou que Roraima lidera o ranking de taxa de fecundidade de meninas de 10 a 14 anos ficou entre as finalistas e recebeu menção honrosa do Prêmio Livre.jor de Jornalismo Mosca. 

Por nossa contribuição para a equidade de gênero, recebemos a homenagem Antonieta de Barros da Deputada Estadual Renata Souza (PSOL/RJ). Também ganhamos uma moção de reconhecimento da vereadora Luciana Boiteux (PSOL/RJ), pela luta a favor da descriminalização e da legalização do aborto, e uma moção de reconhecimento e louvor para comunicadores negros, mídias independentes, jornalistas e fotógrafos negros, oferecida pela vereadora Mônica Cunha (PSOL/RJ).

Ficamos felizes demais com todos esses reconhecimentos e mais felizes ainda em ver o impacto do nosso trabalho no debate público brasileiro. A convite das vereadoras Monica Cunha e Monica Benício, do PSOL, participamos de audiência pública conjunta sobre combate ao racismo na política municipal para mulheres, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Também estivemos presentes na audiência pública sobre combate ao racismo na política pública de juventude, mais uma vez a convite da vereadora Monica Cunha.

 

Para além do digital

Em 2023, também produzimos dois eventos para discutir temas urgentes a partir de dados, com perspectiva de gênero e raça. Em maio, em parceria com o Consulado-Geral dos EUA no Rio de Janeiro, realizamos a palestra “Mulheres no jornalismo: protagonismo, desinformação e violência”.

Em agosto, dialogamos sobre um tema que voltou à arena pública este ano, a descriminalização do aborto. Em parceria com Intervozes, Nem Presa Nem Morta e Cepia promovemos a discussão sobre Aborto na mídia, na Casa Nem, no Rio de Janeiro. E para fechar o ano com chave de ouro, nos mudamos para um nova sede, mais ampla e com espaço para termos mais trocas e eventos como esses. 

Este ano, o documentário Verde Esperanza: aborto legal na América Latina, realizado em coprodução com Filmes da Fonte, continuou correndo o Brasil e foi exibido 22 vezes em 13 cidades. O filme foi exibido pela primeira vez em Goiânia (GO), Vitória (ES), Brasília (DF), Niterói (RJ), Natal (RN), Aracaju (SE), Salvador (BA), Poços de Caldas (MG) e Curitiba (PR). Se você quiser promover uma exibição comunitária do filme, basta entrar em contato por e-mail contato@generonumero.media.

 

Não estamos sozinhas

Também lançamos novos projetos. Em setembro, publicamos a série de vídeos Aborto em Pílulas, com apoio da iniciativa Futuro do Cuidado, que reúne tudo que você quer saber sobre aborto com medicamentos e não tem para quem perguntar. Em novembro, lançamos o Mapa Nacional da Violência de Gênero, em parceria com o Instituto Avon e Senado Federal, uma plataforma que reúne os principais dados públicos e indicadores de violência contra as mulheres. 

E como não paramos, em dezembro lançamos mais dois projetos, o relatório “Atuação da indústria alimentícia em agendas sobre a Reforma Tributária no Executivo federal”, em parceria com Fiquem Sabendo, e o videocast Substantivo Feminino. A iniciativa do YouTube Brasil em parceria com Gênero e Número, Rede Mulher Empreendedora, Internet Lab e Casé Fala, com produção de Dia Estúdio, trata de violência de gênero, política do cuidado, discurso de ódio, mulheres na política e políticas públicas. 

Não fizemos nada disso sozinhas. Acreditamos que é na colaboração com nosso ecossistema e outras organizações que conseguimos ir mais longe. Gostaríamos de agradecer aos parceiros, que foram essenciais para que pudéssemos ampliar nossa atuação e a divulgação de dados especializados em gênero, raça e sexualidade: VoteLGBT+, A TENDA, FIAN Brasil, ISER,  Revista Azmina, Marco Zero, DIADORIM, Agência Pública, Nós, Mulheres da Periferia, UOL, Portal Catarinas, The Intercept e Na Perifa. 

E, para finalizar, um agradecimento especial aos nossos financiadores, que acreditaram na Gênero e Número e nos permitiram continuar existindo: Ford Foundation, Open Society Foundation, Google Equity Fund, Instituto Avon, Instituto Patricia Galvão e Ibirapitanga.

Nos vemos em 2024. 

Vitória Régia da Silva

É jornalista formada pela ECO/UFRJ e pós graduanda em Escrita Criativa, Roteiro e Multiplataforma pela Novoeste. Além de jornalista, também atua na área de pesquisa e roteiro para podcast e documentário. É gerente de jornalismo e vice-presidente da Associação Gênero e Número, onde trabalha há mais de seis anos. Já escreveu reportagens e artigos em diversos veículos no Brasil e no exterior, como o HuffPost Brasil, I hate flash, SPEX (Alemanha) e Gucci Equilibrium. É uma das autoras do livro "Capitolina: o mundo é das garotas" [ed. Seguinte] e colaborou com o livro "Explosão Feminista" [Ed. Companhia das Letras] de Heloisa Buarque de Holanda.

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