Radar Antigênero analisa narrativas de ódio e desinformação no YouTube com uso de inteligência artificial

Ferramenta inédita lançada pela Gênero e Número em parceria com a Novelo Data identifica padrões discursivos antigênero e oferece dados acessíveis para jornalistas, pesquisadores e sociedade civil.

Ilustração: Marilia Ferrari

Está no ar o Radar Antigênero, plataforma que reúne análises inéditas sobre o avanço de narrativas antigênero no YouTube. Criada pela Gênero e Número em parceria com a Novelo Data, a ferramenta utiliza inteligência artificial para monitorar, classificar e interpretar vídeos com esse tipo de discurso.

Gratuita e aberta, a iniciativa chega em meio ao acirramento das disputas digitais e se propõe a oferecer transparência e insumos para enfrentar ataques à diversidade e aos direitos humanos. O projeto foi um dos selecionado no Desafio de Inovação JournalismAI , com apoio da Google News Initiative.

“Vivemos um momento em que a desinformação e o discurso antigênero se organizam de forma estratégica para influenciar debates políticos e atacar identidades. O Radar Antigênero nasce justamente para tornar visível esse ecossistema, oferecendo dados e análises acessíveis que ajudam a desmontar narrativas criadas para silenciar vozes e restringir direitos”, afirma Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número.

“Mais do que uma ferramenta tecnológica, é um instrumento de cidadania que amplia nossa capacidade de reconhecer padrões de ódio e construir respostas coletivas para enfrentá-los.”

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Os primeiros resultados já dão dimensão da ofensiva: 65% dos vídeos analisados entre janeiro de 2018 e agosto de 2025 defendem papéis tradicionais de gênero, 25% trazem mensagens antifeministas e 20% acionam argumentos ligados à moralidade.

O discurso se apoia em estratégias como humor depreciativo (que ridiculariza mulheres cis e pessoas trans), mobilização do medo, ameaças e teorias da conspiração, compondo um cenário de disputas e de proliferação de ataques contra grupos minorizados, como mulheres, pessoas LGBTQIA+ e negras. A análise histórica realizada pela ferramenta confirma que a produção de vídeos antigênero é cíclica e reativa, sempre ligada a momentos de disputa institucional.

A plataforma foi desenhada para ser intuitiva. Permite aplicar filtros, explorar gráficos interativos e exportar dados, ampliando as possibilidades de investigação sem barreiras técnicas. A metodologia inédita se organiza em três eixos — temas, estratégias discursivas e sujeitos —, permitindo mapear não só o volume de conteúdos, mas também o que se diz, como se diz e quem são os principais alvos. Além disso, o Radar destaca os principais achados do último mês e será atualizado regularmente com a inclusão de novos vídeos.

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“O lançamento do Radar Antigênero marca a primeira etapa do nosso trabalho com dados e inteligência artificial dedicados ao acompanhamento do discurso antigênero no YouTube. Sustentado por um processo estruturado sob medida de mapeamento de dados, o sistema pode se expandir para abranger muito mais conteúdos e tópicos de interesse público em qualquer idioma”, diz Flávio Nakasato, sócio da Novelo Data. 

“Num momento em que o mundo oscila entre a euforia e o temor diante da IA, acreditamos que este é um exemplo concreto de como a tecnologia pode ser aplicada para gerar conhecimento e oferecer subsídios a quem busca compreender e enfrentar um fenômeno tão relevante e crescente, frequentemente instrumentalizado nos debates políticos.”, conclui.

O lançamento também inclui o Guia Prático para reconhecer, investigar e contextualizar o discurso antigênero — com orientações para jornalistas e comunicadores sobre como apurar esse tipo de narrativa sem reforçar mensagens discriminatórias, além da política de uso de inteligência artificial da Gênero e Número. O material será lançado no dia 9 de setembro.

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