Inclusão efetiva é inclusão afetiva

Maite Schneider

O tema e práticas de inclusão estão muito presentes em empresas e organizações que já entenderam que um mundo melhor não pode ser bom somente para algumas pessoas, precisa ser bom para um número cada vez maior de pessoas. Também já entenderam que falar de diversidades é falar de humanidades e que ter diversidades não é o mesmo que garantir ambientes inclusivos.

Mas, para ser efetiva, a inclusão precisa seguir alguns passos.

Intencionalidade

A intencionalidade garante que a inclusão seja pensada, repensada e colocada em prática. Porque a inclusão até pode acontecer sem querer, de modo orgânico, mas em ambientes não maduros e despreparados pode ser um desastre na vida da pessoa que está sendo colocada em tal lugar.

Pensar e repensar nos leva a uma consciência para além de nossa boa vontade e nosso desejo. Faz com que possamos refletir nos outros agentes envolvidos, sentir o real clima organizacional e observar de modo cru tudo que está relacionado ao processo inclusivo. É fazer uma análise SWOT, de forças e fraquezas, de oportunidades e ameaças.

ler Assine a nossa newsletter semanal

Cuidado ativo

O cuidado ativo faz com que, depois de efetuada a inclusão, mantenha-se o olhar atento a tudo que foi pensado durante o processo de amadurecimento da intencionalidade.

Faz também parte desse momento a escuta atenta, próxima e sensível das pessoas envolvidas, deixando sempre um espaço seguro para a troca, que deve ser baseada na confiança mútua e respeito recíproco.

Não deixe de lembrar que, para a pessoa que está no processo de inclusão, tudo é muito novo e recente. As relações ainda não estão definidas. Os caminhos ainda podem ser assustadores em alguns momentos e a insegurança pode estar presente em diversos outros.

É uma casa nova, uma nova jornada sem mapa de chegada, somente ponto de saída. É o momento do acolhimento e de oferecer um dos presentes mais lindos da pessoa aliada: ser cais (porto seguro) no meio do caos que possa surgir.

ler Além do Censo: dicas para saber se uma empresa é inclusiva

Pertencimento

O pertencimento é o terceiro ponto importante. Temos trabalhado muito esse quesito em minha consultoria Integra Diversidade. Incluir é colocar para dentro. Pertencer é fazer parte. Pertencimento é algo construído com confiança, trocas reais, feedbacks recíprocos e sinceros, tempo, paciência e muita empatia.

Se verdadeiramente queremos ter times ou equipes reais, temos que começar a construir o sentimento de pertencimento entre as pessoas colaboradoras de nossa empresa. Não existe time forte com jogadores fracos. Não existem equipes potentes com pessoas impotentes. Precisamos fortalecer quem está jogando no nosso time e potencializar, cada vez mais e constantemente, quem está em nossas equipes de trabalho.

ler Sua empresa inclusiva contrata LGBTQIA+ ou só algumas letras?

Constância

O último ponto é a constância. Para uma inclusão verdadeiramente efetiva acontecer é preciso que ela seja não só pensada, repensada, cuidada, ouvida e sentida. Ela precisa ser mantida e defendida algumas vezes.

É necessário entender que inclusão é processo. É uma jornada de melhoria para todas as pessoas envolvidas e, ouso dizer, até para as que irão receber os benefícios deste processo inclusivo indiretamente, se for bem feito e edificado.

A inclusão quando é efetiva melhora os processos de atração de talentos, humaniza nossos códigos de ética e conduta, nos leva a potencializar nossa missão, nossos valores e propósitos, melhora o clima organizacional, gera inovação para nossos produtos e serviços e entra no DNA da empresa, fortificando ainda mais sua cultura.

ler Leia outras colunas de Maite Schneider

Uma inclusão para ser efetiva, de fato, precisa ser afetiva.

Se não for para fazer assim, te peço com todo afeto do mundo, NÃO FAÇA!

Empresas não são bons produtos e serviços. Empresas, em minha opinião, só deveriam existir, se tiverem bons produtos e serviços. Empresas têm valor potente de existência quando, com seus bons produtos e serviços, mudam pessoas para melhor e melhoram o mundo à sua volta. O maior tesouro de uma empresa são as pessoas colaboradoras, que dão vida a seus produtos e serviços, e os clientes, que acreditam na verdade desses produtos e serviços.

Tudo se resume a pessoas e verdades. Se você ainda não conseguiu entender isso, repito: NÃO FAÇA INCLUSÃO!

Você ainda não está no momento de lidar com humanos. Ainda mais humanos tão especiais, como os que estão tentando viver em um mundo que, quando muito, lhes dá a migalha da sobrevivência.

Quem leu essa Artigo também viu:

Maite Schneider

Maite Schneider trabalha com Direitos Humanos desde 1990. Com MBA em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento. é Linkedln Top Voice e coautora do livro “Diversidade, Equidade e Inclusão – Tornar simples o que parece complexo”. Cofundadora do projeto TRANSEMPREGOS (2013) e embaixadora da RME. Consultora e Mentora sobre Inclusão, Diversidade e Humanização. Cofundadora da Integra Diversidade – uma consultoria especializada em Inclusão e Diversidade - e da SOMOS Diversidade, é parte do Comitê Consultivo do Programa Municipal de DST/Aids e da Frente Parlamentar pelos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Estado de São Paulo.

Se você chegou até aqui, apoie nosso trabalho.

Você é fundamental para seguirmos com o nosso trabalho, produzindo o jornalismo urgente que fazemos, que revela, com análises, dados e contexto, as questões críticas das desigualdades de raça e de gênero no país.

Somos jornalistas, designers, cientistas de dados e pesquisadoras que produzem informação de qualidade para embasar discursos de mudança. São muitos padrões e estereótipos que precisam ser desnaturalizados.

A Gênero e Número é uma empresa social sem fins lucrativos que não coleta seus dados, não vende anúncio para garantir independência editorial e não atende a interesses de grandes empresas de mídia.

Quero apoiar ver mais