Andressa Oliveira
Levantamento realizado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) traz à tona dados preocupantes sobre a representatividade de gênero e raça no secretariado estadual brasileiro. A cada 10 secretários estaduais, apenas um é identificado como preto ou pardo, enquanto 56% da população brasileira se declaram assim. Além disso, as mulheres, que compõem 51% da população, ocupam apenas 30% dos cargos de secretariado.
A pesquisa, realizada em julho de 2023, listou 572 secretarias e seus líderes. O estudo combinou informações do nome e foto, utilizando a plataforma “Nomes do Brasil” do IBGE e consultas adicionais a fotos para garantir precisão na classificação por gênero.
Quanto à identificação racial, foi adotada a “heteroclassificação múltipla e tolerante”, uma metodologia desenvolvida pelo GEMAA. A técnica se baseia em fotos disponíveis na internet para estimar a identidade racial das pessoas, reconhecendo a complexidade da classificação racial e priorizando categorias como “preta” ou “parda” em situações duvidosas.
Assine a nossa newsletter semanal
Gênero e raça em secretarias estaduais
Gênero e raça em secretarias estaduais
O levantamento organizou as secretarias em quatro grandes setores: social, infraestrutura, econômico e órgãos centrais. Os resultados apontam para uma baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nos cargos de liderança.
A análise regional revelou que somente o Nordeste superou a média nacional em representação feminina, com 37%, enquanto a média nacional é de 30%. Entretanto, a representação feminina ainda está abaixo da composição populacional da região. Quanto à representação racial, apenas as regiões Nordeste e Norte registraram percentuais superiores à média nacional de pessoas pretas ou pardas, mas ainda aquém de sua composição populacional.
A concentração de mulheres e pessoas negras em pastas sociais sugere a persistência de estigmas e estereótipos que associam esses grupos a determinados temas, limitando suas representações em áreas consideradas estratégicas, como economia e infraestrutura.
Gênero e raça têm pouco espaço em agendas do Consea com o Executivo federal
Gênero do secretariado
por setor de secretaria
Gênero do secretariado por setor de secretaria
Em síntese, o levantamento revela um quadro complexo de desigualdades de gênero e raça no secretariado estadual brasileiro, destacando a urgência de políticas de ações afirmativas para mitigar as desigualdades presentes no setor público.
Além disso, reforça a necessidade de disponibilizar de maneira ampla dados sobre as pessoas que ocupam posições no setor público, especialmente informações autodeclaratórias sobre raça e gênero, para evidenciar desigualdades ao longo do tempo e propor caminhos para o avanço da representatividade.