Editorial: Erramos

Este editorial é para dizer a vocês que nós erramos. E quando digo “nós”, refiro-me à equipe da Gênero e Número

Em reportagem publicada em 29 de maio de 2024, assinada por mim e pelo Diego Nunes da Rocha, afirmamos que o aumento de partos entre mulheres de 40 anos ou mais havia sido de 45% no Brasil, quando o correto é 83%.

O aumento é o maior entre todas as faixas etárias e o número absoluto está correto, mas um erro de cálculo que não foi identificado por ninguém da equipe nos fez colocar uma informação errada no título. Revisamos os dados, atualizamos a matéria e a republicamos.

Vitória Régia da Silva, diretora de conteúdo e presidente da Gênero e Número, formulou comigo uma errata e conduziu a correção de maneira que eu reconhecesse minha responsabilidade sem me punir por ela. A diretora de design, Marilia Ferrari, trouxe palavras carinhosas e algumas piadas, porque o que seria de nós sem o alívio cômico. Diego e Victória Sacagami, designer que assina as visualizações da pauta, dividiram comigo a carga dessa imprecisão que virou título.

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A partir dessa experiência rara e coletiva de correção sem triturar a autoestima de ninguém, refleti muito sobre maneiras gentis e transparentes de lidar com o erro em ambientes profissionais. E fui capaz de reconhecer que, quando digo lá em cima que nós erramos, também quero falar de todas nós, humanas. Especialmente quando estamos cansadas.

Falar sobre isso na newsletter que enviamos para informar à nossa audiência que havíamos corrigido a reportagem trouxe uma nova dimensão às reflexões, relacionada ao diálogo honesto com nosso público.

Recebemos muitas mensagens de solidariedade de leitoras e leitores também cansados, que compreendem o que significa trabalhar sob pressão, com recursos limitados e em temas sensíveis, como os que a Gênero e Número aborda: violações de direitos humanos e reprodutivos, desigualdades de raça e gênero.

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Também recebemos feedback positivo de jornalistas, uma categoria que lida diariamente com o medo de errar, de sofrer assédio moral em seus ambientes de trabalho, de ser vítima de assédio judicial ou até mesmo de ameaças à integridade física. Estes foram especialmente tocantes, pois mencionavam com admiração a forma saudável com que lidamos com a correção da reportagem.

Na esperança de fortalecer esse diálogo e fomentar novos debates sobre o jornalismo, o erro e o cansaço, deixo aqui o convite para que sigamos em frente, fazendo nosso trabalho com transparência e honestidade. Errando, corrigindo e acertando.

Política de Erros da Gênero e Número

A Gênero e Número valoriza profundamente a transparência, a precisão e a veracidade das informações que publica em seus conteúdos jornalísticos. Comprometemo-nos com a qualidade através de uma equipe interdisciplinar, fontes qualificadas e um rigoroso processo de verificação editorial. Todos os conteúdos publicados no nosso site são revisados minuciosamente por mais de uma profissional. 

A transparência é um princípio fundamental para a Gênero e Número. Reconhecemos que a confiança de nossos leitores depende de nossa capacidade de reportar com precisão e de corrigir rapidamente qualquer erro que venha a ocorrer.

Se você identificar algum erro em nossas publicações, encorajamos que entre em contato conosco pelo e-mail contato@generonumero.media. Estamos sempre abertos a críticas construtivas, sugestões ou notificações de erros.

Procedimentos para Correção de Erros

Assim que nossa equipe for informada de um possível erro, seguiremos os seguintes passos:

Verificação Imediata: Avaliaremos prontamente a informação apontada.

Correção e Transparência: Se o erro for confirmado, corrigiremos a informação imediatamente. Publicaremos uma errata no conteúdo afetado para informar nossos leitores sobre a alteração, incluindo a data e a hora da correção, bem como a justificativa para a modificação.

Notificação aos Parceiros: Em casos de republicação em parceria, notificaremos todos os nossos parceiros republicadores sobre as modificações realizadas.

Alterações em conteúdos publicados pela Gênero e Número são feitas apenas em casos de erro ou para a remoção de informações que possam comprometer a segurança da fonte ou da autora do conteúdo.

Nosso compromisso é corrigir os erros de forma aberta e responsável, garantindo que cada correção seja claramente comunicada. Agradecemos a sua colaboração em nos ajudar a manter a integridade de nosso trabalho.

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Aline Gatto Boueri

Jornalista formada pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECo-UFRJ), colabora com a Gênero e Número desde 2017. Metade tijucana e metade porteña, cobre política latino-americana desde 2013, com foco em direitos humanos, feminismos, gênero e raça. Também cuida de criança todos os dias.

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