Diversidade, inclusão e empreendedorismo feminino para a inovação

Foto: Christina Wocintechchat/ Unsplash

Maite Schneider

Sou uma pessoa apaixonada pelo tema da inovação e como conseguimos, na prática, fazer com que as teorias que conhecemos tragam os melhores resultados em nosso dia a dia. Acabo de passar um mês em Barcelona e outro mês em Medellín – cidades conhecidas por uma série de avanços que envolvem essa temática – e o que trago aqui é para que ampliemos nossos horizontes.

Quando exploramos o cenário atual dos negócios e da sociedade como um todo, é impossível ignorar o impacto positivo que a inovação, a diversidade, a inclusão e o empreendedorismo feminino têm. Sou embaixadora da Rede da Mulher Empreendedora (RME), maior rede de empreendedorismo feminino no Brasil, com mais de 1,1 milhão de mulheres, então também trarei esse olhar.

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A inovação tem sido a força motriz por trás de grandes avanços ao longo da história e é fundamental para enfrentar desafios complexos. A capacidade de pensar de forma criativa, buscar soluções originais e implementar novas ideias é essencial para a sociedade.

É através dela que chegaremos mais perto de desvendar os desafios do mundo moderno e oferecer soluções transformadoras para problemas complexos. A inovação é a ponte entre o presente e o futuro, conectando ideias e possibilidades.

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DIVERSIDADE

A inovação, verdadeiramente significativa, só pode ser alcançada quando todas as vozes são ouvidas e representadas. É aí que a diversidade desempenha um papel crucial, que não se limita apenas a questões de gênero, mas também engloba raça, etnia, idade, orientação sexual, origem socioeconômica, habilidades e outros marcadores.

Ao reunir pessoas com diferentes perspectivas e experiências, estamos criando um ambiente propício para o surgimento de ideias inovadoras. Estudos têm mostrado que equipes diversas são mais criativas e eficazes na resolução de problemas, pois oferecem uma gama mais ampla de conhecimentos e abordagens. A inovação não pode ser um campo exclusivo de uma única perspectiva ou grupo de pessoas..

Mas toda diversidade gera inovação? Em minha opinião, não!

Para atingir um processo potente de inovação é necessário que tenhamos um conhecimento real e profundo sobre as diversidades que temos em nossas empresas, ramos de atividade e vida. É preciso dar espaços para que se manifestem, opinem e sejam ouvidas.

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INCLUSÃO

A inclusão é o meio pelo qual pessoas de diferentes origens e características podem participar plena e equitativamente das oportunidades e benefícios que a inovação traz. Garantir a inclusão é reconhecer e respeitar a diversidade, proporcionando um ambiente onde todos possam contribuir com suas perspectivas e talentos únicos. Isso implica a criação de políticas e práticas inclusivas, o combate aos preconceitos/vieses, estereótipos arraigados e a promoção da equidade em todas as esferas da vida.

Nicole Marshall, líder de diversidade na Pinterest, tem uma frase que gosto muito: “Diversidade é quando contamos as pessoas. Inclusão é quando TODAS as pessoas contam”

Por isso mesmo, na Integra, consultoria da qual sou cofundadora, temos trazido cada vez mais um ponto que vai além da inclusão: o pertencimento. Precisamos fazer com que as pessoas sintam-se parte ativa da construção do que estamos edificando, sejam produtos, serviços ou processos. Quando isso acontece, temos mais do que colaboradores, temos agentes de mudanças reais e fontes potentes de inovação.

É sempre saudável investir na criação de espaços com cada vez mais segurança psicológica, formação de lideranças humanizadas, ouvidorias e compliances mais sensíveis. Antes de passar ao próximo ponto, não esqueça:

Pessoas são suscetíveis a erros e acertos. Buscar só o acerto, além de criar uma pressão desnecessária pela perfeição, tira um pouco da nossa humanidade.

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Muitas vezes, os processos mais inovadores surgem do erro. Quando a máquina executa com perfeição seu papel, sabemos exatamente o resultado final da entrega. É justamente quando a máquina erra, quando dá bug, que conhecemos outras possibilidades e caminhos.

Muitos desses resultados podem não ser úteis, nesse caso descartamos. Mas outros podem nos surpreender e até nos trazer insights preciosos para uma nova solução/revolução. Isso é a essência mais pura da inovação. Não tenha tanto medo do erro.

EMPREENDEDORISMO FEMININO

O empreendedorismo feminino exerce um papel transformador. Mulheres têm enfrentado desigualdades históricas e obstáculos nas mais diversas esferas, mas têm superado esses desafios com resiliência, adaptabilidade, criatividade, inteligência emocional e muitas técnicas de resolução de crises, riscos e problemas. Sem dúvida, essas são soft skills mais que necessárias para potencializar qualquer processo de inovação.

O empreendedorismo feminino não apenas abre oportunidades para as mulheres, mas também contribui para a criação de negócios mais diversos. Inovação é a combinação de criatividade, conhecimento e execução eficiente.

E isso é o que mais tenho visto dentro do meu trabalho junto à RME.

A promoção do empreendedorismo feminino não é apenas uma questão de justiça, mas também uma oportunidade econômica e social que não podemos mais ignorar. A inclusão de mulheres em posições de liderança tem sido associada a melhor governança, tomada de decisão mais eficaz e ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado.

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Para finalizar, lembre-se: essa é uma tarefa coletiva e contínua. Governos, empresas, organizações da sociedade civil e pessoas físicas devem trabalhar em conjunto para criar políticas, programas e culturas que valorizem e promovam a diversidade, a inclusão, o pertencimento e o empreendedorismo feminino. Tais atitudes culminam em um ambiente mais criativo, fértil em ideias e, por consequência, propenso à inovação.

Quando formos uma melhor humanidade, teremos empresas e sociedades também muito melhores. Esta é a maior de todas as inovações.

Se esse assunto te interessou, quero deixar a dica de um livro precioso, do qual assino o posfácio: “Transformação Jurídica: Criatividade é comportamento… Inovação é processo”, de Paulo Samico, Guilherme Tocci e Tayná Carneiro. Nele você encontrará vários outros caminhos para se aprofundar e ampliar seus conhecimentos sobre o assunto.

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Maite Schneider

Maite Schneider trabalha com Direitos Humanos desde 1990. Com MBA em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento. é Linkedln Top Voice e coautora do livro “Diversidade, Equidade e Inclusão – Tornar simples o que parece complexo”. Cofundadora do projeto TRANSEMPREGOS (2013) e embaixadora da RME. Consultora e Mentora sobre Inclusão, Diversidade e Humanização. Cofundadora da Integra Diversidade – uma consultoria especializada em Inclusão e Diversidade - e da SOMOS Diversidade, é parte do Comitê Consultivo do Programa Municipal de DST/Aids e da Frente Parlamentar pelos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Estado de São Paulo.

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