A cura para a população LGBTQIA+ não existe, mas o extermínio sim

Maite Schneider

Podemos exterminar pessoas não apenas com venenos, golpes e tiros. Podemos exterminá-las em vida, negando-lhes o direito aos afetos, às construções familiares, ao acesso à educação, ao mercado de trabalho, à renda e à cidadania. Exterminamos o seu direito de sonhar, de realizar, de ser e de poder.

O preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ tem raízes profundas em diversas culturas e religiões, onde a heteronormatividade é vista como o padrão ideal de comportamento. Essas normas sociais antiquadas fomentam a intolerância e, em casos extremos, podem levar a atos de violência. A ideia de “curar” a homossexualidade ou a transexualidade é uma manifestação dessa intolerância, baseada na falsa premissa de que ser LGBTQIA+ é uma doença ou desvio.

Até hoje vemos práticas como a terapia de conversão que tentam “curar” a homossexualidade ou transexualidade através de métodos pseudocientíficos e muitas vezes cruéis. Essas práticas foram amplamente descreditadas e condenadas por associações médicas e psicológicas em todo o mundo, reconhecendo que não há nada a ser curado em relação à orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa.

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A marginalização e a violência contra pessoas LGBTQIA+ têm consequências devastadoras. Estudos mostram que indivíduos dessa comunidade enfrentam taxas mais altas de depressão, ansiedade e suicídio em comparação com a população heterossexual. A discriminação institucionalizada, que inclui desde a negação de direitos básicos até a criminalização da homossexualidade em alguns países, exacerba essas dificuldades.

O conceito de “extermínio” mencionado no título, embora extremo, não está tão distante da realidade em algumas regiões onde a violência contra pessoas LGBTQIA+ é comum e frequentemente incentivada por políticas governamentais ou líderes comunitários. Em lugares onde ser LGBTQIA+ é considerado um crime (com pena de morte em alguns casos), a mera existência dessas pessoas é vista como algo a ser erradicado.

A Luta pela Igualdade

Combatendo essa narrativa de ódio, movimentos de direitos humanos e organizações LGBTQIA+  ao redor do mundo trabalham incansavelmente para promover a aceitação e o respeito à diversidade que todos somos. A aprovação de leis anti-discriminação, o reconhecimento do casamento igualitário e a proteção dos direitos de pessoas de todas as orientações e identidades são passos importantes nessa luta.

A educação e a conscientização são ferramentas poderosas para desmantelar o preconceito e ajudar a combater a discriminação. Programas educacionais inclusivos que abordam questões de gênero e sexualidade de forma aberta e respeitosa podem ajudar a formar novas gerações mais tolerantes e empáticas. Além disso, a visibilidade de pessoas LGBTQIA+ na mídia e em posições de destaque ajuda a reduzir os muitos estigmas ainda existentes.

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Através da luta constante pelos direitos humanos é possível construir um mundo onde a diversidade seja celebrada e onde todas as pessoas possam viver livres de discriminação e violência.

É essencial reconhecer a humanidade e a dignidade inerentes a cada indivíduo, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Só então poderemos afirmar verdadeiramente que não há necessidade de cura, porque não há doença. A verdadeira cura está na erradicação do ódio e na promoção do amor e do respeito mútuo, a todos, todas, todes e quem mais aparecer nesta nossa evolução societária.

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Maite Schneider

Maite Schneider trabalha com Direitos Humanos desde 1990. Com MBA em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento. é Linkedln Top Voice e coautora do livro “Diversidade, Equidade e Inclusão – Tornar simples o que parece complexo”. Cofundadora do projeto TRANSEMPREGOS (2013) e embaixadora da RME. Consultora e Mentora sobre Inclusão, Diversidade e Humanização. Cofundadora da Integra Diversidade – uma consultoria especializada em Inclusão e Diversidade - e da SOMOS Diversidade, é parte do Comitê Consultivo do Programa Municipal de DST/Aids e da Frente Parlamentar pelos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Estado de São Paulo.

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