Alciana Paulino
Beta Brandão
Lady Souza
A presença de 520 candidaturas bissexuais entre as 3.045 LGBT+ destaca a relevância da comunidade bissexual nas eleições de 2024. Pela primeira vez, contamos com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as candidaturas LGBT+ e podemos afirmar que estamos em TODOS os estados brasileiros, com destaque para São Paulo e Minas Gerais, com 20% e 13% das candidaturas bissexuais, respectivamente.
Os dados, coletados em 18 de setembro de 2024, são o resultado do cruzamento entre a base oficial do TSE e o cadastro de candidaturas na plataforma do VoteLGBT.
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Isso é simbólico e importante, reforça a ideia de que pessoas de diferentes orientações sexuais podem participar ativamente da política, ocupando cargos e defendendo direitos. Essa crescente visibilidade é fundamental para promover a diversidade no cenário político e assegurar que as nossas vozes e necessidades serão consideradas na elaboração de políticas públicas.
Queremos mais de nós na política. Mas também queremos que a política seja um lugar seguro para pessoas LGBT+. Nossas candidaturas, que corajosamente se lançam na disputa eleitoral, ainda enfrentam desafios significativos, como preconceito, estigma e falta de apoio institucional. Muitas vezes, somos alvo de violência política LGBTfóbica não apenas por parte do eleitorado e da oposição, mas também dentro dos próprios partidos políticos.
Gênero e raça de candidatos a prefeituras e Câmaras Municipais em 2024
Somos plurais
A diversidade racial nas candidaturas LGBT+ também mostra avanços no campo político, refletindo uma sociedade brasileira plural. A combinação de diversidade de gênero, afetivo-sexual, étnica e racial em candidaturas políticas cria um cenário mais inclusivo e representativo, algo fundamental para o fortalecimento da democracia.
Entre as candidaturas bis, 59% se declaram como negras (pretas e pardas), 38% como brancas e 0,4% como amarelas. Sabemos que 2% são de candidaturas indígenas, com representantes dos povos Tupinambá, Tapuia e Makuxí, além de 5 bissexuais quilombolas.
Com relação a gênero, 64% das candidaturas bissexuais se declaram do gênero feminino e 36% do gênero masculino. Candidates transgênero representam 8%, cisgêneros 76% e 16% optaram por não compartilhar essa informação.
Candidaturas LGBTI+ e eleições municipais
Candidaturas bissexuais
Eleições 2024
*Das 520 candidaturas bissexuais, 16% optaram por não informar sua identidade de gênero
Candidaturas bissexuais
Eleições 2024
*Das 520 candidaturas bissexuais, 16% optaram por não informar sua identidade de gênero
As candidaturas bis estão distribuídas em 28 partidos dos 29 existentes, assim como as demais candidaturas LGBT+. Apenas o PCO (Partido da Causa Operária) não conta com nenhuma candidatura LGBT+ registrada. A maior presença bi está em PT (23%), PSOL (20%), PDT (6%) e MDB (4%).
Pré-candidaturas LGBT+ nas eleições de 2024
Inspirações
Nas eleições de 2022 para o legislativo federal e estadual, a comunidade bi teve vitórias significativas, como a chegada de Dandara (PT/MG), mulher negra e bissexual à Câmara dos Deputados. Dentro das casas estaduais temos Carolina Iara, travesti negra e intersex, participante da Bancada Feminista (PSOL/SP); Dani Monteiro, mulher negra (PSOL/RJ); Ediane Maria, mulher negra (PSOL/SP); Guilherme Cortez, homem branco (PSOL/SP); Letícia Chagas, mulher negra, participante do Movimento Pretas (PSOL/SP); Michelle Melo, mulher negra (PDT/AC); Thainara Faria, mulher negra (PT, SP).
Nós, bissexuais, existimos! Somos pessoas que não se prendem a uma “leitura” do gênero para se relacionar afetiva e sexualmente com outras pessoas – para nós, não importa a identidade de gênero ou a orientação sexual para que surja um vínculo.
Somos parte do movimento LGBT+, e o que nos une é o enfrentamento da discriminação e da violência, que tecem um elo ao redor do nosso direito de existir. Reivindicaremos direitos, visibilidade, políticas públicas adequadas que nos contemplem, sem perder de vista as especificidades das demandas das comunidades bis. É isso que esperamos destas e destes representantes na política institucional.
A presença bissexual na política é uma vitória, tanto individual, de cada candidate, quanto de suas redes de apoio, porque sabemos que precisamos delas para lidar com os danos causados pelo preconceito. Mas a maior vitória é do movimento social bissexual, que vem se fortalecendo nos últimos anos.
Celebramos cada ativista, coletivo, associação e rede bissexual! Que nossa presença seja possível na política institucional e em todos os espaços que quisermos estar!