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Precisamos resgatar o MDB do Dr. Ulysses, afirma Simone Tebet, que pode se tornar a primeira mulher presidente do Senado

A senadora Simone Tebet é a única mulher na disputa pela presidência do Senado | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado


Parlamentar afirma que pode pleitear o posto de presidente da Casa até mesmo com candidatura avulsa e afirma que, ganhando ou não, estará à frente de movimento de renovação do MDB

Por Vitória Régia da Silva*

Líder do MDB no Senado e única mulher na disputa pela presidência da Casa, a senadora Simone Tebet (MDB/MS) oficializou sua candidatura nesta segunda-feira (21) e vai disputar com Renan Calheiros (MDB/AL) a indicação do partido à presidência do Senado. A pré-candidata cumpre seu primeiro mandato como senadora desde 2015, mas sua carreira política tem longa trajetória. Ela foi vice-governadora do Mato Grosso do Sul (2001-2015), secretária de governo (2013-2014), prefeita por duas vezes de Três Lagoas, no Estado (2005-2010), e deputada estadual pelo Mato Grosso do Sul (2003-2005). Se eleita, será a primeira mulher a ocupar a liderança do Senado.

“As urnas sinalizaram que é hora de renovar. Precisamos resgatar o MDB do Dr. Ulysses [Guimarães], de Pedro Simon e do meu pai, Ramez Tebet. É a este MDB que eu pertenço. Ou o MDB se renova, volta às suas origens, volta a ser um partido de programas, de ideias, sintonizado com a vontade popular, ou vai acabar sucumbindo. Por essas razões coloquei meu nome à candidatura no Senado”,

– disse a senadora à Gênero e Número

O MDB é a maior legenda do Senado, com 12 senadores e, desde 2007, quando ainda era PMDB, detém a presidência da Casa. Tebet afirma que não vai recuar com sua candidatura e defende um Senado independente, moderado e equilibrado que ouça as ruas. A senadora ainda destaca que a agenda prioritária do Senado, que deve estar aberto a diálogo com o Executivo, deve ser a pauta econômica e medidas de combate à violência.

A senadora tem um histórico de defesa de maior participação das mulheres na política e dos direitos das mulheres. Ela foi presidente da Comissão Permanente Mista de Combate à violência contra a mulher e atualmente é membro titular das Comissões de Constituição e Justiça, Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Educação. Tebet também foi uma das defensoras da criação do Observatório da Mulher contra a Violência no Senado.

Ela ainda foi autora do projeto de lei sancionado em dezembro de 2018 (Lei 13.769) que estabelece prisão domiciliar para mães de crianças de até 12 anos ou com deficiência, desde que sejam rés primárias e não tenham sido condenadas por violência contra os filhos ou por associação criminosa.

“Acredito que essa pauta [dos direitos das mulheres] no Congresso tenda a se fortalecer com o aumento da bancada feminina. Já fizemos muito e ainda há muito a ser conquistado. O que acho mais importante ressaltar é que, independentemente da linha ideológica, as parlamentares se unem em prol da ampliação de garantias e direitos para as mulheres, e isso é muito positivo. Continuaremos na luta, sempre. Independentemente do posto que eu ocupe, terei o microfone para defender as mulheres brasileiras”, disse a senadora.

Tebet, que defende uma renovação do MDB, não descarta uma candidatura avulsa, caso tenha apoio mas não seja a indicação do partido: “Se for uma disputa acirrada na bancada e eu tiver o apoio de outros partidos, posso, sim, avaliar a minha candidatura avulsa. De qualquer forma, independentemente de ganhar ou não, estarei à frente de um movimento de renovação dentro do MDB”, pontua. A bancada do MDB se reúne no dia 29 de janeiro para definir o nome do partido que vai concorrer à eleição que ocorre em 1º de fevereiro.

*Vitória Régia da Silva é jornalista e colaboradora da Gênero e Número

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