close

Por novas Marielles, fundações anunciam fundo de US$ 10 milhões

Ato por Marielle Franco no Rio de Janeiro em 15 de março. Foto: Juliana Chalita

Da Redação da Gênero e Número

Sem trazer a público ainda quaisquer esclarecimentos sobre o assassinato de Marielle Franco, a investigação policial corre em sigilo, mantendo a dúvida sobre se serão apontados os culpados ao término do processo. Enquanto isso, iniciativas que mantêm a memória de Marielle e que tentam ecoar a importância para a democracia de mulheres negras estarem em espaços de decisão e poder seguem ganhando vida no Brasil e mundo afora. Nesta quarta-feira, o diretor da Open Society Foundation para a América Latina, Pedro Abramovay, repercutiu a notícia publicada na coluna de Ancelmo Gois, no Jornal O Globo, sobre a criação de um fundo filantrópico que receberá o nome de Marielle, e que já conta com doações confirmadas na cifra de US$ 10 milhões. A articulação foi feita entre a Open Society, a Fundação Ford, a Fundação Ibirapitanga e a Fundação Kelogg.

No seu perfil no Facebook, Abramovay publicou texto onde afirma que juntas as organizações decidiram que o fundamental era deixar claro que Marielle não pode ser sido uma exceção. “Que eles mataram a Mari, mas que milhares virão. Que as mulheres negras das periferias brasileiras vão, sim, ocupar espaços de poder reservados a homens brancos”, escreveu.

De acordo ainda com o relatado no post, o dinheiro, assim como a iniciativa, será gerido pelo Fundo Baobá, organização sem fins lucrativos que vem atuando no país pela equidade racial. Do montante anunciado, R$ 6,5 milhões serão direcionados para o trabalho de ampliar a participação de mulheres negras na política e R$ 3,5 milhões vão para o Fundo Patrimonial do Baobá.  

Dias atrás, a Gênero e Número mostrou que mulheres que se autodeclaram pretas, como era o caso de Marielle, são menos de 1% nas Câmaras de Vereadores do Brasil. Ao somar pretas e pardas, elas são 5% das eleitas vereadoras nas últimas eleições. Apesar de extremamente sub-representadas na política, já que pretas e pardas são 27% da população total do país, elas têm buscado espaços para atuar. No segundo programa do podcast Coordenadas GN, três dessas mulheres foram ouvidas. Para acessar, clique aqui e escute a edição #2.

close-image