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Partido com maior proporção de mulheres candidatas, PMB ainda não reconhece protagonismo feminino

Vereadores e presidentes regionais do PMB, com a presidente nacional, Suêd Haidar, ao cenro. | Foto: Divulgação

Para a presidente da legenda, Suêd Haidar, “quem comanda os mandatos das parlamentares são seus maridos”

Por Maria Martha Bruno*

“Geralmente há um homem por trás dos mandatos das mulheres. Pode ser o marido ou um padrinho político”. A afirmação é da presidente do Partido da Mulher Brasileira (PMB), Suêd Haidar. A legenda é a que mais registrou candidatas para as eleições deste ano (39,4% do total de seus quadros). Elas são 177 das 450 candidaturas registradas pelo PMB. Todas as 35 legendas devem cumprir a lei 12.034/2009, que estabelece mínimo de 30% e máximo de 70% de candidatos de cada sexo em eleições proporcionais. Nenhum partido ultrapassa muito essa porcentagem.

Uma semana após o fim do prazo para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, as informações recebidas pelo TSE oferecem um raio-X bastante completo de quem estará nas urnas no dia 7 de outubro. O cenário aponta para a manutenção da sub-representatividade das mulheres a partir de 2019, apesar de serem maioria não só entre as eleitoras, como na população brasileira. Nas eleições proporcionais (Câmara dos Deputados, Câmara Legislativa do DF e Assembleias Estaduais), a quantidade de candidaturas chega aos 30% determinados pela lei. Mas os números passam longe no caso do Senado, governos estaduais e Presidência da República, quando não há tal obrigação.

Em 2019, as pretas e pardas também continuarão sub-representadas. Embora mais candidatas tenham se declarado pretas (70% acima do registrado nas eleições de 2014), as negras são apenas 14% do total de candidatos. Vale lembrar que no Brasil essa parcela chega a 27% da população. Entre todas as candidatas mulheres, pode-se observar o ímpeto das mais jovens. Elas são maioria entre os postulantes que têm até 24 anos (51%) e quase metade (44%) dos candidatos que têm entre 25 e 29 anos. Acima dos 30, as candidaturas de mulheres ficam abaixo dos 30% do total.

Pela “causa feminina”

Criado em 2015, o PMB já foi acusado diversas vezes de não dar o espaço que seu nome sugere às mulheres na política. O partido chegou a receber filiações de 22 deputados federais e de um senador, e elegeu quatro prefeitos (dois homens e duas mulheres) e 218 vereadores em sua primeira disputa, em 2016. Mas atualmente não conta com representantes no Congresso Nacional. Em agosto de 2017, o PMB perdeu seu único deputado na Câmara Federal. E foi um homem quem apagou a luz: Weliton Prado, eleito por Minas Gerais, migrou para o PROS. A bancada do PMB no Congresso também já incluiu um pastor, e outros religiosos estarão carregando a sigla nas próximas eleições.

Presidente da legenda e candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro, Suêd Haidar conta que, quando da criação do partido, houve deputadas e senadoras que demonstraram interesse na legenda: “Esse partido tem a minha cara. Se a senhora convencer o meu marido, eu vou para o PMB”, lhe teriam dito algumas parlamentares. Ela prefere não revelar nomes. Haidar afirma categoricamente que “quem comanda os mandatos das parlamentares são seus maridos”. Ela afasta a possibilidade de que elas tenham sido mais conservadoras em suas escolhas, optando por legendas mais ricas e mais antigas, e atribui ao machismo o fato de sua legenda ser preterida por mulheres.

Em sua fala, Haidar repete a expressão “causa feminina”, distanciando a legenda de partidos que não levam o “mulher” no nome, mas que advogam por direitos das mulheres ainda associados às bancadas mais progressistas, como a legalização do aborto. “Desde a fundação do partido, defendemos a vida. Em relação a outros tópicos, cada indivíduo tem sua opinião”, diz ela, sinalizando a posição contrária da legenda à legalização da interrupção voluntária da gravidez.

Uma das principais bandeiras do PMB é o combate ao feminicídio, pauta que historicamente vem mobilizando a bancada feminina do congresso de forma suprapartidária. A presidenta do PMB também diz querer implantar escolas de política para mulheres em 2019.

O PMB decidiu destinar às mulheres 70% dos R$ 900 mil que lhe couberam do Fundo Eleitoral de R$ 1,7 bilhão. O TSE determinou que os partidos devem repassar pelo menos 30% do recurso às candidatas.

*Maria Martha Bruno é jornalista e subeditora da Gênero e Número.