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Novos nomes: conheça Natalie Unterstell, pré-candidata a deputada federal pelo Paraná

Natalie Unterstell, pré-candidata a deputada federal pelo Paraná | Foto: arquivo pessoal

A newsletter Política 2018 traz a cada edição quinzenal o perfil de uma mulher que disputará as eleições pela primeira vez em 2018

Da Redação Gênero e Número

A paranaense Natalie Unterstell já trabalhava há alguns anos com políticas ambientais quando partiu para um mestrado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sobre administração pública. Lá, teve contato com as experiências mais bem-sucedidas do mundo no campo das políticas públicas, contou ela à Gênero e Número. E foi uma experiência no Japão – nada menos do que uma conversa com o primeiro-ministro Shinzo Abe – que lhe abriu os olhos para a importância de considerar as desigualdades de gênero na elaboração de políticas públicas. “Ele estava justamente naquele momento propondo um programa chamado Womenomics, voltado para fazer as mulheres brilharem, como ele nos falou. De alguma forma, aquilo me tocou muito.” Tanto que o programa japonês inspirou algumas pautas que Unterstell pretende avançar caso seja eleita deputada federal pelo Paraná nas eleições de outubro – a licença parental compartilhada é uma delas.

Conheça abaixo cinco pontos sobre a pré-candidatura de Natalie Unterstell pelo Podemos para a Câmara dos Deputados.

1. Renovação política

Em sua temporada fora do Brasil, Unterstell disse ter sentido o impulso de voltar diante da realização de que não há “mágica” para a solução dos problemas do país que não envolva a participação da cidadania comprometida com uma mudança construtiva. “Se a gente não meter a mão nessa história, se a gente não tentar alguma coisa no sentido da renovação política, a mágica não vai acontecer. Não adianta ficar esperando que um dia o Brasil volte a ter algum caminho legal”, afirmou. Ao retornar, ajudou a fundar dois movimentos por renovação política no Brasil: Agora e Nova Democracia. Sua seleção como bolsista do programa do RenovaBR “foi o impulso final” para sua candidatura. “Nunca me vi indo para uma eleição sozinha, para mim não faz sentido. Nunca foi meu sonho ser parlamentar, eu não acredito em política como profissão, mas acho que dentro de uma perspectiva de criar um novo campo faz muito sentido.”

2. Fim de privilégios

A primeira de suas pautas é o “fim de privilégios” na política, como foro privilegiado e despesas excessivas de gabinetes parlamentares e de governo. Uma das propostas é diminuir 30% da cota parlamentar, por exemplo. Segundo ela, trata-se de uma pauta muito forte no Paraná, segundo pesquisas realizadas por sua pré-campanha. “Quando a gente pensa em renovação política aqui, as pessoas querem materializar o que é renovação, e para elas e para mim também trata-se de mostrar que o político não é um cara especial, não está acima da sociedade. É a política do cidadão comum mesmo”, afirmou.

3. Igualdade de oportunidades entre homens e mulheres

Unterstell se diz feminista, “mas não é um feminismo ligado a uma bandeira ou sigla partidária”, afirmou. Ela pretende trazer esse tema em medidas voltadas especialmente a estabelecer a igualdade socioeconômica entre mulheres e homens. Uma delas é a licença compartilhada dos filhos recém-nascidos, de maneira a erradicar a diferença entre os atuais 120 dias de licença-maternidade e cinco dias de licença-paternidade. Também propõe jornadas de trabalho flexíveis e incentivos para municípios que garantam creches para todas as crianças até dois anos de idade. Ela pretende olhar com atenção para os obstáculos enfrentados por mulheres que tentam voltar ao trabalho após terem filhos.

Leia outros perfis de pré-candidatas na página Política 2018

A representação política das mulheres e o combate às barreiras para a entrada e atuação delas na política formal também estão em seu radar. “Não sou só uma ambientalista que quer substituir um ruralista paranaense no Congresso, não só alguém de um movimento de renovação; eu estou total nessa história de mulheres na política”, disse.

4. Economia digital e inovação no governo

Sua terceira pauta é economia digital e inovação no governo. Ela aponta que é importante formar força de trabalho digital no Brasil, o que se relaciona com a educação no país. Mas seu foco é a demanda por inovação no governo. “Hoje, para o governo contratar startups de tecnologia e favorecer a inovação, ele tem limites muito grandes na própria lei 8.666/1993, que regra as licitações públicas e é incompatível com a economia digital. Para o governo contratar alguém para desenvolver uma inovação, o cara já tem que ter a inovação pronta e ela já tem que ter sido vendida para alguém, então não funciona”, afirmou. Ela propõe um novo marco legal para a contratação de tecnologia pelo governo e para o fomento da inovação tecnológica no país.

5. Meio ambiente como contexto

Natalie Unterstell tem uma trajetória profissional muito ligada às políticas públicas ambientais, tendo sido parte do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, órgão assessor da Presidência da República. Ela explica que, em sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, o meio ambiente não é uma pauta isolada, mas sim o contexto de todas as suas propostas.

Um exemplo é a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída na bacia do rio Xingu, nos arredores de Altamira, no Pará. Ela classifica o projeto como “uma baita problema ambiental e climático” que já custou mais de 30 bilhões de reais. “Quando eu entro na seara de reduzir privilégios, combater corrupção e olhar para a renovação política, estou pensando em gente que quer fazer a coisa certa e que topa gastar capital político para isso”, afirmou. Ela cita a força da bancada ruralista no Congresso, abastecida financeiramente pelo agronegócio, e a tentativa destes parlamentares de ampliar o uso de agrotóxicos no país com o projeto de lei 6299/2002. “A questão não é só ambiental. Se fosse, a gente estaria discutindo saúde, dados. Para mim, é muito mais nessa coisa de garantir privilégios e financiamento de campanha. Eu coloco o meio ambiente nesse contexto por essa razão. Em geral, as más decisões ambientais estão ligadas à corrupção, à falta de interesse com a coisa pública.”