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Novos nomes: Cinco pontos fundamentais para conhecer Thais Ferreira, pré-candidata no RJ

Thais Ferreira disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: RenovaBR

A newsletter Política 2018 vai trazer a cada edição o perfil de uma mulher que disputará as eleições pela primeira vez em 2018

Por Lola Ferreira*

Negra, mãe de três filhos e empreendedora social, a carioca Thais Ferreira, 29 anos, decidiu ingressar na política partidária após acumular dez anos de atuação como liderança popular na região de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Com o foco em aumentar a representatividade de mulheres negras na política e garantir direitos fundamentais às populações mais vulneráveis, Thais será candidata em outubro a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por um partido a ser anunciado ainda em abril. A Gênero e Número mostra o que pensa a pré-candidata sobre cinco pontos relevantes para o cenário político atual.

1. Renovação política

Thais é uma das líderes do programa Lemann+RAPS, que busca pessoas comprometidas em atuar na resolução de desafios sociais da sociedade atual, e também do Renova BR, um projeto com objetivo de acelerar novas lideranças políticas e impulsionar a candidatura de cidadãos comuns, que não estão habituados com a corrida eleitoral. Foi a partir do Renova que Thais começou o processo de ampliação da sua atuação política.

“Sentia a necessidade de aumentar escala do impacto do meu trabalho, que já vinha sendo reconhecido por instituições importantes mas que eu tinha dificuldades de viabilizar e financiar. Vi no edital do Renova a oportunidade de furar alguns bloqueios e fazer a transição do empreendedorismo social para a política institucional efetiva e centrada nas necessidades da população. É muito importante que surjam iniciativas como esta. Acho que a educação política é essencial, mas deve-se cuidar com muita atenção para que o conhecimento e o acesso sejam livres de interesses, sempre”, afirma.

2. Ampliação do debate

Thais defende a educação política e também a aproximação com setores da população que se afastaram do processo eleitoral e da política institucional.

“A gente tem uma grande parte da população que não vota. Como a gente estabelece o diálogo com essas pessoas? Eu busco dia após dia conversar mais com essas pessoas do que com a política institucional. É a partir dessas pessoas e desse pensamento que eu tenho construído hoje o que será a minha trajetória política. Educação política deve ser trabalhada desde cedo, além das escolas. A gente tem que conscientizar mais pessoas para o debate político. Tem uma grande parcela da população que faz a política do cotidiano, que gera impacto real mas não tem acesso a informações, e não há uma rede para que suas ideias sejam ouvidas e postas em prática. Atuo na política suprapartidária há mais de dez anos, e uma das coisas que eu tento fazer é tradução de conceitos: como falar o que a gente tem que falar, de forma a ser compreensível para todo mundo?”, explica ela que mantém contato com outros empreendedores sociais do Rio e de outros Estados.

Thais Ferreira
“Quero ocupar um espaço de poder público para dar continuidade aos projetos que já realizo”, diz Thais. Foto: Divulgação

3. Representatividade

A pré-candidata até então nunca se filiou a um partido político, passo que será dado em alguns dias. A legenda já está definida, mas ela prefere não divulgar antes do registro oficial. Ela aponta que mudanças terão que ser feitas dentro dos partidos para que seja possível uma renovação política.

“A renovação não pode ficar apenas nos quadros mas também deve passar de forma profunda pelos partidos. Questões como o debate de raça, gênero e classe devem estar no centro dessa mudança. Se o nosso sistema é representativo, o assunto da representatividade deve ser tratado de forma séria e urgente. As dificuldades partidárias partem desde lugar e devemos estar confortáveis para discuti-las se quisermos mudanças efetivas neste ecossistema”, analisa.

4. Direitos fundamentais

O projeto de empreendedorismo social de Thais tem como foco os direitos à saúde. O “Mãe&Mais” oferece serviços e informação sobre o tema para mulheres, gestantes e crianças de até seis anos de idade. Ela afirma que quer garantir direitos básicos para a parte mais vulnerável da população.

“Minha trajetória política foge do convencional. Quero ocupar um espaço de poder público para dar continuidade aos projetos que já realizo na área da saúde da população vulnerável, no empreendedorismo social com foco no impacto positivo nos territórios populares, nas garantias de melhores chances de futuro para jovens e adultos através da educação e na garantia dos direitos fundamentais das populações minorizadas”, conta ela, que iniciou o projeto em 2016.

5. Desafios políticos

Para a pré-candidata, a política partidária se tornou um lugar mais inseguro para as mulheres negras depois do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em março deste ano. Mas outros desafios também se apresentam durante a trajetória recente dela, e ao longo da trajetória de outras mulheres negras na política.

“O primeiro e principal desafio é se manter viva nesse ecossistema partidário que está habituado a nos invisibilizar, silenciar e impossibilitar nossos movimentos de forma institucional e estrutural. Toda estrutura partidária não foi pensada para incluir mulheres, sobretudo mulheres negras. A leitura social nos coloca no lugar de “para a quem tudo falta”. E se nos falta, como poderemos propor soluções e dominar os códigos e relações de poder? Linguagem inacessível, restrições de financiamento e manutenção dos privilégios familiares são mecanismos de barreira utilizados para nos manter à distância. Cabe a nós combatê-los com nossas tecnologias sociais de resistência”, aponta Thais.

*Lola Ferreira é jornalista e colaboradora da Gênero e Número.