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Novos nomes: Cinco pontos fundamentais para conhecer Eloá Rodrigues, pré-candidata de Niterói

Foto: Arquivo pessoal

A newsletter Política 2018 vai trazer a cada edição o perfil de uma mulher que disputará as eleições pela primeira vez em 2018

Por Vitória Régia da Silva*

Travesti, negra e estudante de Ciências Sociais, a niteroiense Eloá Rodrigues, 25 anos, decidiu ingressar na política depois de atuar com movimentos sociais nos últimos anos em Niterói, município do Rio de Janeiro. Com a intenção de representar e pautar as demandas de pessoas LGBTs, negras e de periferia, Eloá será candidata em outubro a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, pelo PCdoB. É a primeira pré-candidata assumidamente LGBT da cidade a disputar o cargo de deputada estadual. A Gênero e Número mostra o que pensa a pré-candidata sobre cinco pontos relevantes para o cenário político atual.

1. Renovação política

Eloá é secretária de Igualdade Racial do Grupo de Diversidade de Niterói (GDN), onde atua há dois anos, e faz parte do Conselho Municipal LGBT de Niterói — o primeiro do Estado. Foi a partir do GDN que veio o convite para a candidatura.

“Vivemos em um dos momentos mais sombrios da nossa geração, por isso é necessário ocuparmos os espaços políticos e visibilizar nossa luta. Por muito tempo entregamos nossas demandas nas mãos de representantes que nem sempre fazem o que é necessário, porque eles não entendem nossa realidade.  Nada melhor do que fazer diferente. Reclamamos do que está posto, em vez de pensar em uma mudança de dentro. A gente sempre pensa em fazer a mudança de fora para dentro e não de dentro para fora. É isso que quero fazer. Minha candidatura vem no sentido de mostrar que é possível fazer uma mudança de dentro para fora e pensar em como mudar esse cenário político tão difícil e pouco representativo que a gente vive”, pontua a pré-candidata.

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2. Ampliação do debate

Eloá pauta a construção de uma ponte entre a juventude de periferia e a universidade. Ela também defende a aproximação da periferia com a política institucional.

“Eu não moro mais na periferia, mas vim de periferia e sei que é importante fazer essa ponte. Quero mostrar que é possível ser de periferia e ter um cargo político, e provar que esse lugar também é nosso. Nós precisamos estar lá para propor uma renovação política, a juventude tem muito o que agregar na política institucional. Independentemente do resultado da eleição, espero que mostrar a minha existência, resistência e persistência possa instigar mais pessoas como eu a participar e estar nesses espaços”, explica.

"Estou encarando de frente como o maior desafio da minha vida". Foto: Divulgação
“Estou encarando de frente como o maior desafio da minha vida”. (Arquivo Pessoal)

3. Representatividade

A pré-candidata lembra de mulheres negras como Marielle Franco e Talíria Petrone, ambas do PSOL-RJ, como figuras muito representativas, pulsantes na política e referências para sua trajetória. Ela aponta que o poder político atual é excludente.

“Eu me  pré candidatei para mostrar para as estruturas institucionais que nossos corpos e nossas vidas importam. Enquanto mulher negra trans e travesti, a minha vida importa e as outras vidas que estão marginalizadas por esse sistema também importam. Eu quero mostrar ao sistema que nossa vida é importante e que nossas pautas merecem serem debatidas lá dentro e mostrar para a população que está aqui fora que é possível ter alguém que possa levar suas pautas e terem suas histórias ouvidas de fato”, afirma.

4. Direitos fundamentais

No Grupo de Diversidade de Niterói, Eloá pauta questões de gênero, raça e sexualidade. Fundado em 2004, o GDN oferece atendimento psicológico e realiza cineclubes e a Parada do Orgulho LGBT de Niterói. O foco da candidatura de Eloá, segundo a pré-candidata, será o de garantir direitos básicos a populações vulnerabilizadas e que sempre estiveram à parte da política institucional.

“As mulheres negras e a população LGBT são umas das prioridades da minha candidatura a serem pautadas na Assembleia Legislativa, já que são populações marginalizadas. Eu quero lutar na política para que essas populações parem de ser exterminadas”, conta ela, que faz parte do GDN desde 2016.

5. Desafios políticos

Para a pré-candidata, muitos desafios impedem que mulheres, pessoas negras, LGBTs e de periferia cheguem a ocupar cargos políticos.

 “A política é um lugar que não é pensado para os nossos corpos, porque um corpo preto e LGBT, como o meu, é institucionalmente marginalizado. Só de ser candidata para um cargo que muitos dos meus nunca sonharam, já é uma conquista e um privilégio, mas as dificuldades são imensas. Quando defendemos corpos e vidas marginais, essas falas tendem a não serem ouvidas por determinados grupos políticos. Eu sei que se for eleita, não vai ser fácil fazer eles escutarem, mas vou continuar pautando e lutando. Existem muitos desafios, mas estou encarando de frente como o maior desafio da minha vida”, afirma Eloá. 

*Vitória Régia da Silva é jornalista e colaboradora da Gênero e Número.

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