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Diálogos GN

Mostra que traz dados em peças artísticas chega ao Brasil para abrir 1º Diálogos Gênero e Número

Com obras de países latino-americanos, a exposição “Data ART – Arte baseada em dados” já passou por El Salvador, Honduras e Costa Rica e chega ao Rio de Janeiro em 30 de novembro

Da Redação

A convergência entre jornalismo de dados e arte tem sido percebida como tendência em encontros consolidados de jornalismo e dados na América Latina, como o AbreLatam, este ano realizado na Costa Rica, e o Foro Centroamericano de Periodismo, de El Salvador, que em 2017 chegou à sua oitava edição. Nesses dois eventos, a interseção entre os campos ganhou como vitrine a exposição itinerante Data ART, que reúne obras baseadas em dados realizadas por jornalistas e artistas de diferentes países da região.

A partir desta quinta-feira, 30 de novembro, até 11 de dezembro, a mostra poderá ser vista pela primeira vez pelo público brasileiro, no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro. A exposição é parte da programação do 1º Diálogos Gênero e Número, que oferecerá também oficinas gratuitas e um dia inteiro de debates – confira aqui a programação completa.

Depois de integrar a exposição com o vídeo “Rua, substantivo (ainda) masculino”, feito a partir de ilustrações de Tainá Ceccato, a Gênero e Número retribuiu o convite para que a mostra Data ART viesse ao país, trazendo um recorte de obras que tratam de questões de gênero e direitos.

O resultado é uma curadoria de peças diversa nas abordagens e nos suportes que convida o espectador a uma incursão por temas tão duros quanto urgentes, como a desigualdade salarial entre mulheres e homens, a violência sexual contra crianças e adolescentes e os índices de homicídios de mulheres pretas. Os vídeos, obras gráficas e instalações que traduzem visualmente as estatísticas revelam caminhos originais percorridos entre as reportagens e as chamadas visualizações offline.

Foto: René Figueroa
Foto: René Figueroa

De El Salvador, país onde foi inaugurada a exposição, chegam dois trabalhos: “Os ausentes”, instalação inspirada em reportagem publicada no jornal Prensa Gráfica, sobre o alto índice de desaparecidos no país centro-americano; e “O costume de violar”, que chama atenção para dados referentes a abusos cometidos contra menores de idade com uma grande rede de filó “costurada” com pequenas roupas infantis feitas de papel colorido.

Foto: René Figueroa
Foto: René Figueroa

A obra foi concebida a partir de uma recém-premiada reportagem do jornal El Faro, um dos idealizadores da exposição, junto com a Fundação Poma, também de São Salvador. O trabalho de María Luz Nochez recebeu neste mês o Prêmio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo, concedido pelo Instituto de Prensa y Sociedad (IPYS) e pela Transparência Internacional.

Já a Guatemala aparece representada com o conjunto intitulado “Brecha”, que traz intervenções gráficas realizadas sobre relógios e notas da moeda local, o Quetzal guatematelco, para evidenciar a diferença salarial e o tempo dedicado a trabalhos não remunerados entre homens e mulheres e também entre mulheres brancas e indígenas.

Além da videorreportagem que já faz parte do acervo da Data ART, a Gênero e Número apresenta uma nova obra desenvolvida especialmente para o evento, em uma colaboração com o LAMO – Laboratório de Modelos e Fabricação Digital da UFRJ. “Quantas vezes vítima” é uma peça-memorial que expõe a escalada de homicídios de mulheres pretas e pardas no Brasil. A instalação sonora se baseia em um levantamento inédito realizado pelo Instituto Igarapé a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Datasus que mostra que mulheres pretas correm um risco duas vezes maior de serem assassinadas em intervenções feitas pelo Estado do que mulheres brancas.

Para abrir a Data ART, será realizada uma visita guiada aberta ao público nesta quinta-feira, dia 30, às 16h, com a jornalista espanhola Cristina Algarra, coordenadora da mostra, e a codiretora da Gênero e Número Maria Lutterbach.

Data ART – Arte baseada em dados

Quando: 30/11 a 10/12
Onde: Parque das Ruínas -R. Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa – Rio de Janeiro
Entrada gratuita