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Mais indecisas e mais ignoradas: propostas para mulheres são escanteadas em último debate presidencial

Presidenciáveis no estúdio antes de último debate televisivo antes do 1o turno das eleições (04/10) | Foto: Ricardo Stuckert

Grupo de mulheres é o que mais declara voto branco/nulo, ainda não tem candidato e está mais inclinado a mudar o voto já decidido, segundo última pesquisa do Datafolha. Mesmo assim, terminaram último debate presidencial sem saber quais as propostas de presidenciáveis para elas

Por Lola Ferreira*

A pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na noite desta quinta (05/10) reforçou que, no recorte de gênero, a proporção de mulheres que ainda não sabem em quem votar para a Presidência da República é maior do que entre os homens. Os dados mostram que 7% delas pretendem votar em branco/nulo e outras 7% ainda não sabem em quem votar; entre os homens, 5% disseram que vão anular e 3% disseram ainda não saber seu voto. São elas também que estão mais inclinadas a mudar o voto: 31%, quando os homens incertos são 20%. Ainda assim, no último debate presidencial televisivo antes do primeiro turno das eleições, propostas de políticas voltadas para as mulheres passaram ao largo das falas dos sete candidatos presentes.

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As únicas proposições que atingem diretamente as mulheres, além de temas gerais como emprego e saneamento básico, foram referentes aos direitos das trabalhadoras que são mães e que se encontram gestantes, no âmbito da reforma trabalhista.

O candidato Ciro Gomes (PDT) prometeu às eleitoras creche em tempo integral. “É preciso garantir que as crianças estejam assistidas e alimentadas para que a mulher brasileira vá à luta, porque não está fácil para ninguém”, disse.

Henrique Meirelles (MDB) também explanou seu projeto sobre o tema. O candidato disse que irá criar o programa Pró-Criança, uma extensão do Prouni para creches, onde cidadãos poderão matricular crianças em creches privadas próximas às suas casas “para não ter que se transportar para buscar a creche pública”.

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Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE) têm, respectivamente, 0 e 4% das intenções de voto no último Datafolha. Entre as mulheres, Boulos oscila um ponto percentual para cima e o índice de Marina se mantém. Os dois candidatos foram os únicos que, durante o debate presidencial transmitido pela TV Globo, levantaram a questão sobre o trecho da reforma trabalhista que não observou a questão da insalubridade para gestantes. O candidato do PSOL, em pergunta para Geraldo Alckmin (PSDB), destacou o fato. O candidato do PSDB, então, afirmou que “a questão de grávidas precisa ser regulamentada” e que “irá corrigir” caso seja eleito.

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Marina Silva refez a mesma questão, mas para Meirelles: “A reforma prejudicou os direitos dos trabalhadores em nome do avanço. [Permite] uma mulher grávida trabalhar em condições insalubre. Você pretende consertar esse erro?”, perguntou. O candidato do MDB também afirmou que, caso eleito, pretende reparar essas questões.

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Ciro Gomes foi o único a citar o problema da violência contra as mulheres. Para engrossar os dados sobre violência no país como questão de segurança pública, citou dados sobre estupros e disse que “não há justiça” para estes casos, mas não fez nenhuma outra declaração específica sobre o tema.

Protagonistas do processo eleitoral, aliás, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), segundo e primeiro lugar na pesquisa de intenção de voto, têm desempenho bem distintos entre o eleitorado feminino. O Datafolha mostra que, em um eventual segundo turno, 47% das mulheres votariam em Haddad e 38% votariam em Bolsonaro. Entre os homens, o índice é de 39% e 51% respectivamente.

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Segundo colocado nas pesquisas, Haddad tem menor rejeição entre as mulheres, se comparado a Bolsonaro: 35% rejeitam o petista, enquanto 50% rejeitam o candidato do PSL. Entretanto, durante o debate da TV Globo, o candidato ungido pelo ex-presidente Lula não inclinou a sua fala às eleitoras. Com a ausência de Bolsonaro, as mulheres terminaram a noite sem saber os dois líderes das pesquisas programaram para elas em seus eventuais governos.

*Lola Ferreira é jornalista e colaboradora da Gênero e Número