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Mães de recém-nascidos redobram cuidados diante da pandemia

O atendimento às mães e aos recém-nascidos se mantém de forma regular em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS)

Coronavírus mudou a rotina do atendimento de saúde aos recém-nascidos e mães no puerpério, sujeitos a um calendário específico de vacinas e consultas

Por Sanara Santos e Glória Maria, da Énois*

Com apenas um mês de vida, Ana Luiza, bebê de Thayane Costa Coutinho, 19, moradora do Parque Santa Madalena, na Zona Leste de São Paulo (SP), já conheceu o mundo em outra dinâmica: o da pandemia do Covid-19, o novo coronavírus.

A vida de Ana Luiza já está sendo afetada pela crise. A rápida disseminação do vírus – que já infectou de mais de 20 mil pessoas no país, dessas quase oito mil só em São Paulo –, o isolamento social decretado e a superlotação e alta procura dos aparelhos de saúde pública, têm mudado a rotina do atendimento aos recém-nascidos e mães no período do puerpério. Sujeitos, inclusive, a um calendário específico de vacinas e consultas.

Os bairros de São Paulo atendidos pelo programa Estratégia Saúde da Família (ESF) têm recebido a visita das equipes multiprofissionais e são elas que orientam sobre os novos protocolos. A agente comunitária de saúde (ACSs) que visitou Thayane pediu para que ela evitasse ir até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, caso necessário, requisite a presença das equipes no domicílio.

Com problemas respiratórios, Thayane, que é professora da rede pública de ensino infantil, está no grupo de risco do Covid-19. “Sempre fui louca por limpeza e ainda mais agora. Sou do grupo de risco, tenho bronquite asmática. E se eu pegar isso?”, conta.

Na última consulta médica que fez, ela também recebeu algumas instruções de como higienizar objetos próximos ao bebê e a forma correta de higienizar as mãos.

Já Aline Vidal Titski Cavalcante, 21, moradora de Paraisópolis, na Zona Sul da cidade, ainda não recebeu instruções das agentes de saúde em relação às vacinas e consultas para sua filha Layla, também de um mês de idade. “A última vez que fui no posto ela estava com uma semana e o Covid-19 ainda não estava alastrado assim”, disse.

Ana Luiza e Layla estão prestes a tomar as primeiras doses das vacinas Pentavalente, Poliomielite (paralisia infantil), Rotavírus humano e Pneumocócica 10, que são para os primeiros dois meses de vida. Nacionalmente, a recomendação é que as vacinas das crianças estejam em dia, principalmente nos primeiros cinco anos de vida.

Para quem tem ido aos postos de saúde, as experiências não têm sido muito boas e a preocupação acerca da contaminação é uma realidade de muitas mães. Moradora do Jardim Alvorada, em Santo André, no ABC Paulista, a agente de turismo Mariama Alexandre de Oliveira, 32, tem um bebê de dois meses, Malcom, e precisou levar o filho para tomar as vacinas exigidas. “As pessoas estão mais estressadas”, diz.

Ir até o posto deixou Mariama com medo. Mesmo percebendo que as pessoas estavam mais distantes fisicamente umas das outras, a unidade de saúde estava bem cheia, ela conta.

Dentro de casa os cuidados e preocupações também têm dobrado. “Estou tomando muito cuidado. Não recebo visitas e estou usando o álcool em gel que ganhei na maternidade quando saí. Vou na rua só quando necessário, para comprar fralda, leite e alimentos. Quando chego em casa, troco a roupa e tomo banho. Só assim pego minha bebê no colo”, explica Aline.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde e a Coordenação do Departamento de Atenção Básica de São Paulo informaram que o atendimento às mães e aos recém-nascidos se mantém de forma regular em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Segundo as instituições, este é um tratamento fundamental para a avaliação da saúde da mãe e do bebê, incluindo as vacinações obrigatórias. Desta forma, as Unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF) continuam realizando suas visitas domiciliares normalmente.

Instruções para mães e recém-nascidos

UBS

– Vacinas: serão realizadas de forma normal nas unidades de saúde
– Consultas: também seguirão normalmente para quem puder ir até os postos; as visitas de agentes comunitários de saúde também estão normais

Em casa

– Mantenha o local que o bebê está limpo e higienizado
– Antes de tocar no bebê, lave bem as mãos e passe álcool em gel
– Evite tocar nas vias respiratórias dos recém-nascidos
– Evite a circulação de visitas no seu domicílio
– Limpe bem os objetos do bebê
– É difícil mas, se possível, evite os beijos!
– Fique em casa!

*Este conteúdo faz parte da parceria da Gênero e Número com Azminadata_labe e ÉNois na cobertura do novo coronavírus, com foco em gênero, raça e periferia.

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