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Iniciativa com nome de Marielle Franco irá financiar e formar ao menos 60 novas líderes negras

Mulheres negras de todo o país receberão incentivo financeiro para investirem em sua formação, sem limite máximo de idade | Foto: Janine Moraes / Secretaria Especial da Cultura

Fundo Baobá distribuirá bolsas de R$ 40 mil para incentivar mulheres negras a ocupar espaço de poder “simbólico e material” em todo o Brasil

Por Lola Ferreira*

Com a aproximação da data que marca os 18 meses da execução da vereadora Marielle Franco (morta em 14 de março de 2018), organizações nacionais e internacionais aproveitam a ocasião para se unir em uma iniciativa de formação de novas lideranças negras. O “Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco”, do Fundo Baobá, organização que promove a equidade racial para a população negra no Brasil, irá distribuir bolsas em dinheiro e investir na formação de mulheres exclusivamente negras em todas as regiões, nas áreas rural e urbana.

O legado da trajetória de Marielle Franco foi o pontapé inicial para a arrecadação de recursos e criação do programa. Anielle Franco, irmã da vereadora, vê no programa uma oportunidade de resposta ao crime, ainda não elucidado: “Assassinaram a Marielle, ceifaram a vida dela com mais de oito tiros, mas não calaram a sua voz. Não calaram e não calarão”, disse, no lançamento do programa, na primeira semana de setembro. Franco também enxerga a nova iniciativa como uma oportunidade de manter viva a história da irmã. Para ela, as organizações envolvidas estão honrando o legado e a memória de Marielle.

Diferentemente de outros editais semelhantes, o Programa Marielle Franco não exige registro formal de um coletivo ou organização; mulheres podem se inscrever individualmente. O edital prevê que as bolsas serão de, em média, R$ 40 mil, contemplando 60 novas líderes. A intenção do Fundo Baobá é “furar a bolha”, e atrair também para o programa mulheres que não sejam ativistas, mas que exerçam papel de liderança em suas comunidades, desde que saibam realizar leitura política, mobilizar, mediar conflitos e estabelecer redes. 

Sem restrição máxima de idade, qualquer mulher negra com mais de 18 anos pode participar. O programa não irá contemplar outras etnias, como indígenas ou amarelas, por exemplo. Com foco na Região Nordeste, a expectativa dos organizadores é que mais mulheres daquela região participem e, posteriormente, sejam selecionadas. “Ali temos desafios, oportunidades e potencialidades”, destaca Fernanda Lopes, diretora de programa do Fundo Baobá. 

Lopes também explica que o programa está aberto a mulheres trans e cis, de alta ou baixa escolaridade, de periferia, zona urbana ou zona rural. Todas as especificidades serão aceitas, desde que a mulher seja negra.

  

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