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Candidatas lésbicas e bissexuais querem maior representatividade no Legislativo

Jussara Cardoso é uma mulher bissexual e candidata a deputada estadual (PDT/PR). | Foto: Divulgação

Mulheres se colocam como lésbicas e bissexuais na disputa por cargos no Legislativo e pautam políticas públicas específicas para essa população

Por Vitória Régia da Silva*

Mulheres lésbicas e bissexuais estão se organizando nestas eleições para disputar cargos legislativos e por mais representatividade e inclusão na política. A Plataforma Eleições 2018 da Aliança LGBTI, que mapeia candidaturas de representantes e aliados da causa LGBT+, levantou até o momento nove candidatas a Assembleias Legislativas e à Câmara dos Deputados, em cinco Estados, que se declaram lésbicas e duas bissexuais e que trazem propostas para estas minorias sexuais.

Carol Quintana (PSOL), candidata a deputada estadual no Rio de Janeiro, é uma delas. Professora de sociologia da rede estadual, ela se coloca como uma mulher lésbica na disputa. “As mulheres têm pouca representatividade na política, e as lésbicas menos ainda. Nós somos invisíveis em todos os espaços”, disse Quintana à Gênero e Número. Sua campanha traz o mote #MeuVotoÉSapatão para “disputar poder e esses discursos que nos oprimem”. “É uma tentativa de dar visibilidade e pegar aquilo com que nos ofendem para dizer que temos orgulho de ser quem somos”.

Jussara Cardoso (PDT), cientista política e pesquisadora de gênero, mulher bissexual e candidata a deputada estadual pelo Paraná, observa que a política é um ambiente difícil de se inserir por ser um ainda muito hétero e masculino. Segundo ela, a bissexualidade não aparece como possível em nenhum lugar, muito menos na política. “Dentro do movimento LGBT+ existe uma invisibilização da vivência bissexual, então não se pode esperar que essa pauta tenha maior amplitude no ambiente político”.

Propostas lés/bis no Legislativo

“Não dá mais, em 2018, para legislar e construir políticas públicas para setores sociais que não estão sendo representados. Precisamos inserir essas pessoas e setores sociais, como as LGBT+, como construtores desse Estado” disse à Gênero e Número Tainá de Paula (PCdoB), mulher bissexual, arquiteta e urbanista e candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro. “Não adianta nada falarmos em diversidade e não mostrar, no nosso sistema político, essa diversidade que está clara na nossa sociedade”, acredita.

Além da questão de gênero e sexualidade, a candidata do PCdoB, uma mulher negra, também salienta a ausência de pessoas como ela nos espaços políticos. Ela faz referência a Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada no dia 14 de março, como alguém que trazia essas identidades. A execução bárbara de Marielle já leva mais de seis meses sem ser solucionada, lembra Tainá de Paula. “Quero uma sociedade mais diversa, mais lésbica, mais bissexual, mais trans e menos fóbica”, diz a candidata.

Ela traz em suas pautas a oposição ao projeto Escola Sem Partido, que pretende interditar o debate sobre diversidade de gênero e orientação sexual nas escolas. “A tentativa de tirar a palavra ‘gênero’ [dos planos de ensino] é uma tentativa clara de invisibilizar a discussão de questões de identidade, orientação sexual e tudo que construímos a partir dessa educação diversa”, afirma.

Para Quintana, a representatividade é fundamental, mas por si só não garante direitos, por isso deve ser acompanhada de um projeto de sociedade menos opressora. “Nestas eleições, é importante conscientizar a população LGBT+ a votar em pessoas que as representem. Precisamos defender as cores da nossa bandeira não só em festas ou paradas, mas também na política”, afirma.

Entre suas pautas está a transformação do programa municipal “Rio Sem Homofobia” em uma lei estadual chamada “Rio sem LGBTfobia” e diz que vai trabalhar para que o projeto de lei seja colocado em pauta com um orçamento anual para sua implementação. Também propõe a expansão das delegacias da mulher e atendimento realizado por policiais mulheres, além de especializado para mulheres lésbicas, bissexuais e trans que sofrem com violência e estupros corretivos. Como professora da rede estadual, também defende a discussão de gênero e sexualidade nas escolas.

Já Jussara Cardoso propõe a criminalização da LGBTfobia e a organização de semanas culturais e educacionais chamadas ‘Fora do Armário’ para debater questões de gênero e sexualidade. “A importância de ter mais mulheres bissexuais na política é que seria possível disputar poder na estrutura e criar políticas públicas direcionadas para essa população”, disse a candidata. 

*Vitória Régia da Silva é jornalista e colaboradora da Gênero e Número.