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#8M: 8 dados que explicam por que as mulheres vão marchar em todo o mundo

Foto: Mídia Ninja

Por Natália Mazotte*

“Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”, afirma Cecilia Palmeiro, uma das porta-vozes do movimento argentino “Ni Una Menos”. As desigualdades no mercado de trabalho, a violência machista e tantas outras agendas em prol de mais equidade de gênero motivam as marchas e greves planejadas por mulheres de mais de 30 países neste 8 de março. No Brasil e no mundo, não faltam razões para sair às ruas na luta por mais direitos para as mulheres, e a Gênero e Número separou oito dados que ilustram isso.

1) 1 em cada 3 mulheres em todo o mundo já sofreu violência física e/ou sexual

A Organização Mundial da Saúde estima que 35% das mulheres em todo o mundo já tenham sofrido qualquer violência física e/ou sexual praticada por parceiro íntimo ou violência sexual por um não-parceiro em algum momento de suas vidas. Em todo o mundo, até 50% das agressões sexuais são cometidas contra meninas menores de 16 anos.

No Brasil, cerca de 44 mil mulheres foram assassinadas na última década no país e a cada 3 brasileiros, 2 viram uma mulher ser agredida no último ano, de acordo com dados lançados neste 8 de março pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

2) Mulheres não chegam a ¼ dos postos legislativos em todo o mundo

Vencer as estruturas machistas da velha política globalmente é um desafio que também demanda muita luta. Segundo dados da Inter-Parliamentary Union, menos de 1/4 dos parlamentos nos países democráticos são ocupados por mulheres. No Brasil, a representação delas é ainda menor, 10% na Câmara e 16% no Senado. Mesmo depois de campanhas e até mesmo de uma lei para promover a participação feminina na política por aqui, nas eleições municipais de 2016 as mulheres chegaram a apenas 13% dos espaços nas câmaras municipais das capitais brasileiras.

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3) Mulheres ganham 77 centavos para cada dólar recebido por homens pelo mesmo trabalho

A brecha salarial entre homens e mulheres em todo o mundo está estimada em 23%, de acordo com estudo publicado pela OIT em 2016. Isso significa que elas recebem 77% do que ganham os homens por trabalho equivalente. A diferença não se explica por diferenças de idade e educação, mas está relacionada a fatores como a desvalorização do trabalho feminino e das ocupações dominadas por mulheres e o tempo disponível para o trabalho remunerado. Apesar de aferirmos algum progresso nos anos recentes, o ritmo ainda é lento. Seguindo a tendência atual, vamos precisar de mais 70 anos para eliminar as disparidades salariais por gênero.
No Brasil, os dados de 2015 da Relação Anual de Informaçoes Sociais (RAIS) apontam que a renda mensal bruta das mulheres foi de R$ 2.389, o que equivale a cerca de 80% da renda dos homens, de R$ 2.864. O país ocupa a 129ª posição na comparação de pagamentos a homens e mulheres, segundo o Índice Global de Desigualdade de Gênero 2016, publicado pelo Fórum Econômico Mundial.

4) O índice de mulheres na presidência de empresas no mundo todo é de 12%

As mulheres já ocupam praticamente metade do mercado de trabalho mundial, mas a representação feminina despenca quando olhamos os cargos de liderança nas empresas. Um levantamento recém-divulgado pela consultoria Grant Thornton revela que apenas 12% de mulheres ocupam cargos de CEO no mundo. No Brasil, o índice aumentou do último ano para este, saindo de 11% para 16%. A pesquisa Women in Business da Grant Thornton Internacional ouviu 5.500 executivos, em 36 das principais economias mundiais.

5) As mulheres gastam 2,5 vezes mais tempo com trabalhos domésticos não remunerados que os homens

Uma das razões que explica a desigualdade salarial entre homens e mulheres e a ainda baixa presença feminina nas lideranças das organizações é a distribuição desproporcional da carga de trabalho doméstico não remunerado. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, mulheres de países em desenvolvimento dedicam 2,5 vezes mais tempo que seus pares masculinos nos afazeres da casa e no cuidado dos filhos, o que significa menos tempo para ampliar as horas dedicadas ao trabalho remunerado.

Um estudo recém-divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre o mercado brasileiro aponta que, somadas as atividades remuneradas e domésticas, as mulheres trabalham em média 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em relação às atividades não remuneradas, mais de 90% das brasileiras declararam realizar atividades domésticas – proporção que se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos, assim como a dos homens (em torno de 50%).

6) Estima-se que morram 47 mil mulheres todos os anos por complicações relacionadas a abortos clandestinos no mundo

A criminalização do aborto tem se revelado um problema de saúde pública, como os números sobre a prática revelam. Uma das principais pautas feministas, o direito ao aborto seguro ainda precisa ser conquistado em boa parte do mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que 22 milhões de abortos sem as medidas de segurança necessárias são realizados todos os anos no mundo inteiro e 47 mil mulheres morrem anualmente por isso. Apenas no Brasil, pesquisa do IBGE mostra que ao menos 8,6 milhões de mulheres já passaram por pelo menos um aborto na vida, sendo mais de 1 milhão deles clandestinos.

7) Mais de 800 milhões de mães em todo o mundo ainda não estão adequadamente protegidas com licença maternidade remunerada

Metade do mundo ainda não cumpre um dos primeiros direitos trabalhistas proclamado pela OIT às mulheres, em 1919: a proteção à maternidade. Uma pesquisa da organização divulgada em 2014 aponta que 49% de 185 países analisados não prevêem sequer 14 semanas de licença maternidade remunerada total ou parcialmente.

8) 86% das brasileiras dizem já ter sofrido assédio em espaços urbanos

Em 2016, a organização internacional de combate à pobreza ActionAid conduziu um levantamento que mostrou que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades. Em outros três países pesquisados, os dados também foram alarmantes, evidenciando que o problema não está restrito ao Brasil. 79% das mulheres ouvidas que vivem em cidades na Índia, 86% na Tailândia e 75% no Reino Unido relataram ter sofrido assédio em público.

Natália Mazotte é jornalista e codiretora da Gênero e Número.

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